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Os 19,6 milhões de votos, ou 19,33% obtidos pela candidata do PV Marina Silva, terceira colocada no primeiro turno da eleição presidencial, já estão a ser cortejados pelos dois primeiros colocados, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), que disputarão o segundo turno em 31 de Outubro.
Marina decidiu sacudir a pressão convocando uma convenção para decidir o sentido do apelo ao voto no 2.º turno. O objectivo deste processo, disse, é dar voz a todos os movimentos sociais que participaram da sua candidatura. A convenção deve ocorrer dentro de duas semanas.
Marina Silva foi ministra do Ambiente de Lula. Nos sete anos que ocupou o ministério, o governo Lula liberou os transgénicos e, entre outras coisas, aprovou o projecto que aluga áreas da floresta amazónica ao capital privado. No início da campanha, Marina disse que não estava a construir uma "agenda de direita ou de esquerda" para as eleições. O seu candidato a vice-presidente, o empresário Guilherme Leal, é um dos donos da gigante dos cosméticos Natura e o 13º homem mais rico do Brasil.
Dilma Rousseff afirmou nesta segunda-feira que a busca do apoio do PV é uma das suas prioridades nesta segunda fase da campanha. A candidata do PT afirmou que representa melhor o que os eleitores de Marina querem para o Brasil. “Nós achamos que somos capazes de mostrar isso a esse segmento da população”, disse.
Dilma queixou-se de ter sido vítima de boatos na primeira fase da campanha e que responderá a isto "de forma sistemática e imediata", caso volte a ocorrer no segundo turno.
Marina e Dilma contra descriminalização do aborto
“Foi feita contra nós uma campanha perversa, com inverdades. Quem me acusava não aparecia de forma clara”, disse Dilma, referindo-se a comentários sobre a sua posição religiosa e sobre o aborto, feitos principalmente na Internet.
Nos bastidores, Lula terá observado que Dilma demorou muito para reagir quando surgiram rumores de que ela defendia a legalização do aborto. Na avaliação da cúpula da campanha, votos de evangélicos e católicos migraram para Marina porque esta é frontalmente contra a descriminalização do aborto. No último dia 29, preocupada com os boatos, Dilma reuniu-se com líderes religiosos para garantir que nunca defendeu a interrupção da gravidez. "Nós deveríamos ter feito essa reunião antes", admitiu Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula. "Subestimamos os boatos."
Gabeira, do PV, apoia Serra
José Serra também afirmou que existe “afinidade” entre o seu partido e o PV. "Existem elementos para aproximação (com o PV) e espero sinceramente que ela aconteça", disse, lembrando que o PV o apoiou quando foi governador de São Paulo e prefeito da capital paulista, numa parceria que, segundo ele, gerou o "projecto ambiental mais avançado do Brasil".
Entretanto, um dos mais importantes dirigentes do PV, Fernando Gabeira, candidato derrotado ao governo do Rio de Janeiro, já declarou apoio a Serra no segundo turno.