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O temporal que atingiu a região serrana do estado do Rio de Janeiro nos últimos dias já é considerado a maior tragédia climática da história país. O último balanço de vítimas apontava para a morte de 506 pessoas provocadas pelas enxurradas e desabamentos de encostas nas cidades de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis e Sumidouro, todas no Norte do estado.
O número de vítimas já ultrapassou o registado em 1967, na cidade de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, quando morreram 436 pessoas.
A mais recente tragédia provocada pelas chuvas ocorreu em Abril do ano passado, no morro do Bumba, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Construído sobre um antigo lixão, o morro desabou depois de fortes chuvas, matando mais de 50 pessoas.
Dilma: faltam políticas de habitação
A presidente Dilma Rousseff visitou a região nesta quinta-feira, e disse que o momento vivido pelos moradores é "dramático" e que as cenas que presenciou são "muito fortes".
"Estamos aqui para garantir que o momento da reconstrução será também o momento da prevenção", disse, acrescentando que, no Brasil, a construção de moradias em áreas de risco é a regra, não a excepção. "Quando não se tem políticas de habitação, a pessoa que ganha até dois salários mínimos vai morar onde? Vai morar onde não pode".
Já o governador do estado, Sérgio Cabral, culpou as prefeituras (câmaras) das cidades da região serrana pelo incentivo à moradia em áreas de risco: "Lamentavelmente, o que nós tivemos em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, da década de 1980 para cá, foi um problema muito semelhante com o que ocorreu na cidade do Rio, que é a desgraça do populismo. Deixar a ocupação pelos mais pobres das áreas de risco", disse. Cabral disse que, apesar de haver mortos que estavam em casas de alto padrão, a maior parte das vítimas são "pessoas humildes".
Explicação de especialistas
De acordo com especialistas ouvidos pelo jornal O Globo, a explicação para a repetição de tragédias no Rio de Janeiro é a falta de controle e planeamento no crescimento das cidades.
Por outro lado, o relevo das cidades serranas funciona como uma barreira que impede a passagem das nuvens. Concentradas, provocam muita chuva numa única área. A parte alta das montanhas é um terreno muito inclinado e a vegetação cresce sobre uma camada fina de terra. A água da chuva vai penetrando no solo, que fica encharcado e solta-se. A terra desce então em avalanche, devastando o que encontra pela frente.