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Bolívia: vitória eleitoral da esquerda põe fim ao governo golpista

Os primeiros resultados provisórios indicam que Luis Arce, ex-ministro da Economia de Evo Morales, venceu as presidenciais à primeira volta. Apesar da repressão e perseguição de que foi alvo, o MAS assegura a maioria nas duas câmaras legislativas.
Luis Arce e David Choquehuanca
Luis Arce e David Choquehuanca ao centro) festejam a vitória eleitoral deste domingo. Foto publicada na conta Twitter de Luis Arce

Ao fim de um ano de convulsão política iniciada com as eleições presidenciais que deram a vitória a Evo Morales e foram depois consideradas nulas, o ex-presidente boliviano teve de festejar no exílio uma vitória ainda mais expressiva do seu candidato a sucessor. Luis Arce e David Choquehuanca, candidatos a presidente e vice-presidente da Bolívia, terão obtido uma vitória por uma margem que poucos esperavam, tendo em conta a perseguição movida ao seu partido pelo governo saído do golpe político-militar de 2019.

Segundo as projeções com base nas primeiras contagens de votos, Arce pode recolher 52.4% dos votos dos bolivianos, deixando o principal opositor, Carlos Mesa, com 31.5% dos votos, a mais de vinte pontos percentuais de distância.

“O nosso compromisso é de trabalhar e levar para a frente o nosso programa. Vamos governar para todos os bolivianos”, prometeu Arce numa primeira reação ao anúncio das projeções.

Jeanine Áñez, a presidente interina escolhida pelos autores do golpe que levou Morales a exilar-se, foi das primeiras figuras políticas a reconhecer a vitória e a felicitar os candidatos apoiados pelo Movimento al Socialisno (MAS), pedindo-lhes que governem “a pensar na Bolívia e na democracia”.

Os resultados finais ainda não são conhecidos e desta vez foi suspenso o mecanismo da contagem rápida dos votos, que esteve na origem da confusão gerada nas passadas eleições presidenciais. As diferenças entre os resultados anunciados, os atrasos sem explicação oficial e a suspensão deste mecanismo a meio da contagem alimentaram na altura suspeitas de manipulação, que a oposição a Evo Morales aproveitou para mobilizar setores policiais e militares com vista a provocar a renúncia do presidente recandidato. Esse golpe prosseguiu com a repressão ao MAS, que teve vários dirigentes e deputados detidos, julgados, condenados, ou obrigados a sair do país. Mesmo ao longo desta campanha eleitoral para as presidenciais e legislativas, o partido denunciou vários atos de perseguição durante a campanha eleitoral contra os seus candidatos.

A partir do exílio em Buenos Aires, Evo Morales saudou o povo boliviano pela “vitória contundente” do seu partido, que alcança a maioria nas duas câmaras legislativas. “Agora vamos devolver a dignidade e a liberdade ao povo”, afirmou o ex-presidente.

 

 

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