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Bloco quer levar Comissão de Agricultura à Mata Nacional de Leiria

“O Estado também é proprietário florestal e está a falhar", aponta o deputado Ricardo Vicente. E diz que apesar de todo o conhecimento científico que o Governo mobilizou, "a Mata Nacional de Leiria e restantes matas litorais ardidas ainda hoje não tiveram direito a mais do que ao corte e venda de madeira” ardida em 2017.
Mata Nacional de Leiria
Estrada Atlântica, na Mata Nacional de Leiria, Marinha Grande. Foto de Ricardo Vicente.

Esta quarta feira o Bloco de Esquerda entregou um requerimento na Comissão de Agricultura, com a proposta de realizar uma visita à Mata Nacional de Leiria, que ardeu em 86% em 2017 e que necessita de medidas urgentes para a sua recuperação. Este requerimento surge na sequência de um convite à Comissão de Agricultura, realizado por quatro especialistas locais que já desenvolveram trabalhos de investigação sobre a mata e que estão preocupados com o seu futuro.

“Em Outubro, faz três anos do incêndio e a reflorestação propriamente dita está muito pouco feita. Aparentemente, o que está feito é muito residual e foi realizado à base de voluntariado e de mecenas. Da tutela, que se saiba, as ações concretas são só corte e venda da madeira queimada”, declarou a bióloga Sónia Guerra, uma das subscritoras do convite, ao Jornal de Leiria.

O requerimento apresentado pelo Bloco de Esquerda relembra que “foi criada uma Comissão Científica que elaborou um conjunto de propostas a ter em conta para a recuperação desta mata, assim como das restantes matas litorais, tendo-se consubstanciado num relatório, divulgado pelo ICNF após requerimento do Bloco de Esquerda”. Segundo declarações prestadas ao Esquerda.Net pelo deputado bloquista Ricardo Vicente, “até hoje, não se sabe se o Governo e o ICNF aceitaram as dezenas de propostas realizadas pela Comissão Científica em 2018, apesar da mesma ter sido constituída por vários investigadores e investigadoras a convite do Governo anterior”.

Durante o plenário da Assembleia da República que decorreu também na quarta-feira, o deputado Ricardo Vicente sublinhou, num debate a respeito das medidas de prevenção e combate a incêndios, que “o Estado também é proprietário florestal e está a falhar. O Governo ignora todo o aconselhamento científico que mobilizou para o efeito, e a mata nacional de leiria e restantes matas litorais ardidas ainda hoje não tiveram direito a mais do que ao corte e venda de madeira”.

 

Pode ler-se no requerimento apresentado que “os responsáveis do Governo e do ICNF justificam a quase inexistência de trabalhos de restauro realizados nas matas litorais com a necessidade de aguardar pela regeneração natural. Se é verdade que a regeneração natural exige tempo para se concretizar, também é verdade que é necessário que exista investimento público na sua condução e gestão, o que não está de todo a acontecer. Qualquer cidadão que visite as matas com frequência o pode constatar. Se este investimento não acontecer e deixarmos a regeneração natural entregue a si própria, caminharemos para um cenário ingerível e perigoso, com as espécies invasoras a conquistarem cada vez mais terreno e com riscos de incêndio cada vez maiores.”

No início da atual legislatura, o Bloco apresentou um Projeto de Resolução que foi aprovado na Assembleia da República aquando da discussão de uma petição. Entre outras medidas, o diploma propõe a construção de Planos de Requalificação e Reflorestação das matas e perímetros florestais litorais ardidos em 2017, num “compromisso político e governativo de longo prazo”. Um compromisso pelo qual o Bloco de Esquerda continuará a lutar, promete o deputado Ricardo Vicente.

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