Bloco quer esclarecer “fundo misterioso”

12 de dezembro 2010 - 2:38

Francisco Louçã anuncia agendamento na AR de debate de urgência sobre as alterações às leis laborais e o falado fundo para “financiar o despedimento dos futuros desempregados" com o dinheiro dos contribuintes.

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"Esta medida é uma forma de pôr os trabalhadores a promover o seu próprio despedimento", disse Louçã. Foto de Paulete Matos

O Bloco de Esquerda considerou este sábado que as alterações às leis laborais que o governo pretende levar a cabo representam uma "chantagem" sobre os trabalhadores. Numa conferência de imprensa no final da reunião da Mesa Nacional, o coordenador do Bloco anunciou que vai agendar para quarta-feira um debate de urgência na Assembleia da República sobre o tema.

Francisco Louçã criticou o que considerou ser "um fundo misterioso" criado pelo governo, em que "dinheiro de trabalhadores, contribuintes ou descontos pudessem vir a financiar o despedimento dos futuros desempregados".

"Esta medida é uma forma de pôr os trabalhadores a promover o seu próprio despedimento, a pagarem o seu próprio desemprego e a facilitarem a destruição da economia", acrescentou, observando que "tem sido o despedimento e o trabalho temporário que têm destruído a economia portuguesa" e lembrando que "o Eurostat divulgou hoje que Portugal é o terceiro país que tem mais precariedade".

Recorde-se que na sexta-feira o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), António Saraiva, considerou que o fundo para financiar os despedimentos tem "pernas para andar", no final de uma reunião com o primeiro-ministro, José Sócrates, e o ministro da Economia, Vieira da Silva.

Vergonha é também o escândalo do BPN

Louçã referiu-se ainda às palavras do presidente da República: "Diz o presidente Cavaco Silva que os portugueses têm de se envergonhar pelas pessoas que passam fome. E não há dúvida, os portugueses têm de se envergonhar e têm de responder com coragem contra a fome, contra o desemprego, contra os escândalos financeiros", advogou, afirmando que "vergonha é que, neste próximo ano, um buraco de 4600 milhões de euros pelos ex-ministros que se acoitaram no BPN seja de uma dimensão que duplica as dificuldades orçamentais da economia portuguesa".