Durante uma visita a bairros degradados de Vila Nova de Gaia, Catarina Martins afirmou que a criação de um programa nacional de reabilitação urbana “permitiria, em colaboração com as autarquias, reconstruir habitação nos centros urbanos degradados da cidade, que faria parte de uma bolsa de habitação para arrendamento, com rendas que estivessem ligadas ao rendimento das famílias, garantindo assim o direito à habitação”.
A proposta do Bloco contempla ainda uma linha de crédito bonificado para a requalificação urbana dirigida aos proprietários “que não têm recursos para requalificar” os seus imóveis.
Ao criar uma “bolsa de arrendamento com investimento público, com rendas controladas de acordo com o rendimento das famílias”, o programa “permitiria ainda libertar as famílias e libertar o país do excesso de endividamento”, sublinhou a coordenadora do Bloco de Esquerda.
“Nos últimos anos, Portugal apostou tudo na construção imobiliária e o próprio Estado foi agente direto do endividamento das famílias na compra de casa nova” ao gastar, “na última década, mais de mil milhões de euros por ano em crédito bonificado para ajuda à compra de casas que, depois, prendem as famílias ao endividamento para toda a vida”, lembrou Catarina Martins.
“Neste momento, sobre as famílias do nosso país há uma bomba relógio de 130 mil milhões de euros de dívidas de crédito à habitação”, alertou, avançando que a proposta do Bloco permitiria “a quem hoje não tem casa digna, ter casa digna, às famílias que estão sob a chantagem da banca, libertar-se, e ao país criar emprego, já”.
Desafiando “todos os partidos para que a reabilitação urbana seja uma prioridade”, Catarina Martins frisou que, contudo, esta deve ser “feita em moldes diferentes do que até agora”, abandonando-se o “modelo de negócio que parte da especulação e de retirar as pessoas pobres dos centros históricos para depois as casas serem reabilitadas a preços de luxo”.
“Foi isso que se viu no Porto, mas é isso que se vê também aqui em Gaia. Precisamos de uma reabilitação urbana que dê resposta real ao direito à habitação das pessoas e precisamos de criar emprego, agora, não é daqui a seis anos”, referiu a dirigente bloquista.
Durante um almoço-convívio realizado em Ermesinde, Catarina Martins lembrou a importância do voto nas próximas eleições de dia 29 de setembro, sublinhando que “este país é feito de gente que não se resigna, que não desiste, que sabe o que é o Estado de direito e que sabe que o povo é quem mais ordena".
“Um executivo que saia derrotado destas eleições é um Governo com menos condições políticas para impor mais cortes e para aprofundar a política de austeridade", afirmou a coordenadora do Bloco de Esquerda, garantindo ainda que “os eleitos do Bloco não se intimidam perante o poder da finança".
“A escolha passa por saber se as autarquias defendem os bens públicos ou se são balcões de negócios privados", rematou.