Bloco insiste em alternativas à incineração na Ilha de São Miguel

09 de fevereiro 2021 - 22:40

A construção de uma central de incineração na Ilha de São Miguel, nos Açores, é contestada por diversos movimentos sociais e também pelo Bloco de Esquerda, que vai levar este assunto ao Parlamento Regional e à Comissão Europeia.

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Lagoa do Fogo, na lha de São Miguel, Açores / Flickr Joshua Damasio

O Bloco de Esquerda vai levar, mais uma vez, ao Parlamento Regional dos Açores a luta contra a construção de uma central de incineração na ilha de São Miguel.   

O objetivo da proposta  é recomendar ao Governo Regional que, em conjunto com os municípios de São Miguel (para onde está prevista a construção de uma nova incineradora) e da Terceira (onde já existe uma incineradora em funcionamento) sejam encontradas alternativas, entre as quais o aumento da reciclagem e o transporte dos resíduos não recicláveis de São Miguel com a comparticipação da Região.

“Durante a campanha eleitoral, o atual presidente do Governo Regional, enquanto líder do PSD, manifestou abertura para avaliar e estudar soluções alternativas ao atual projeto de incineração para São Miguel, mas afinal a posição deste governo tem sido a mesma que tinha o governo anterior: sacode a responsabilidade sobre gestão de resíduos para as autarquias e aponta como único critério o cumprimento das metas de reciclagem”, afirmou o deputado do Bloco de Esquerda nos Açores, António Lima, no final de uma reunião com a Associação Regional para a promoção e desenvolvimento do turismo, ambiente, cultura e saúde dos Açores (ARTAC). Esta é uma das associações que integram o movimento de cidadania contra a construção de uma incineradora na ilha de São Miguel, “Salvar a Ilha”.

O deputado acrescentou que “os dados disponíveis já apontam para o incumprimento destas metas, e a construção de mais uma incineradora vai contribuir para reduzir a reciclagem”. Por este motivo, António Lima considera que “o Governo deve ser parte da solução, comparticipando os custos referentes ao transporte de resíduos, para que não se caia no erro de construir mais uma incineradora nos Açores, com um valor astronómico, como a que está prevista”. 

A par da recomendação ao Governo para que sejam encontradas alternativas à incineração, o Bloco de Esquerda vai também estudar uma alteração para resolver o que considera ser uma falha na atual legislação, que permite que a central de incineração possa avançar tendo o estudo de impacto ambiental que foi realizado em 2011.  

O projeto de construção da central de incineração arrasta-se há vários anos e encontra-se novamente perante um impasse, uma vez que o concurso foi contestado por uma das empresas concorrentes.

O Bloco de Esquerda Açores está também a articular com os eurodeputados do Bloco de Esquerda, Marisa Marisa e José Gusmão, para questionar a Comissão Europeia sobre este assunto.