A inabilitação por um ano e meio do Presidente da Generalitat da Catalunha, Quim Torra, por “desobediência à Junta Eleitoral central”, foi confirmada esta segunda-feira pelo Supremo Tribunal em Madrid. Em causa estava a colocação de uma pancarta no edifício da Generalitat de apelo à libertação dos presos políticos.
Em reação à decisão do Supremo, o ainda Presidente da Generalitat recusa obedecer: “não abandono nem me resigno, e ainda menos aceito esta sentença, que quer derrubar o governo da Catalunha”.
Torra considera a sentença “um ataque à liberdade de expressão”e uma “perseguição política contra o independentismo”. Defende por isso que “as eleições têm de ser un novo plebiscito e um novo mandato que confirme o referendo de 1 de outubro” de 2017.
Apela por isso a uma "rutura democrática, pacífica e desobediente", recuperando a via da emancipação democrática unilateral que moveu o referendo de 2017, com a repressão policial brutal de Madrid que se lhe sucedeu.
Leia aqui o comunicado do Bloco:
O Supremo Tribunal espanhol confirmou hoje a inabilitação por um ano e meio do Presidente da Generalitat da Catalunha, Quim Torra, por “desobediência à Junta Eleitoral central”. Em causa estava a colocação de uma pancarta no edifício da Generalitat de apelo à libertação dos presos políticos.
O Bloco de Esquerda tem demonstrado, desde o princípio, a sua solidariedade para com o povo catalão e com os presos políticos decorrentes do processo de referendo de 1 de outubro de 2017 (que completa, daqui a poucos dias, 3 anos).
A judicialização de um processo político não é aceitável em países que se dizem democráticos, nem tão pouco se pode ignorar a tentativa recorrente por parte do Estado espanhol em acabar com qualquer possibilidade de processo de negociação política recorrendo à justiça.
Quim Torra é mais um presidente da Generalitat impedido (neste caso por um ano e meio) de cumprir o cargo para o qual foi eleito democraticamente pelo povo da Catalunha.
Da parte do Bloco de Esquerda, expressamos o nosso repúdio por mais esta decisão que impede qualquer avanço numa solução política para a questão da Catalunha. Expressamos, também, a nossa solidariedade para com o presidente Quim Torra e com todos e todas quantos continuam a cumprir pena de prisão decorrente do processo de referendo de 1 de outubro.