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Bloco exige realojamento urgente dos moradores do Bairro da Torre

Deputados bloquistas querem saber os motivos do atraso no realojamento dos moradores do Bairro da Torre, em Camarate. Câmara de Loures confrontada com o facto de não ter removido lixo que propagou o incêndio entre as habitações. Cumprimento de deliberação do parlamento teria evitado desastre.
Bairro da Torre, em Camarate, Loures. Fotografia de Paulete Matos

Esta segunda-feira, os deputados Isabel Pires e Jorge Costa confrontaram o governo, através de perguntas entregues na Assembleia da República, sobre o processo de realojamento dos moradores do Bairro da Torre, em Camarate, no concelho de Loures, e sobre o acesso destes a contratos de eletricidade.

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda pretende saber quando é que o governo irá proceder ao realojamento definitivo dos moradores deste bairro constituído de habitações precárias, que data da década de 1970, e que medidas têm sido tomadas neste sentido. Os deputados exigem ainda que seja encontrada uma solução imediata para os moradores desalojados pelo incêndio.

Nas perguntas é recordado que a EDP cortou arbitrariamente o fornecimento de eletricidade ao bairro há mais de dois anos, o que levou a “que muitos moradores tenham optado por aceder à eletricidade de forma insegura, apesar de anteriormente cumprirem os contratos com a EDP”.

Esta decisão da elétrica nacional, na opinião dos bloquistas, “viola os direitos humanos, deixando as cerca de 47 famílias sem meios para uma vida condigna, nomeadamente, sem poder aquecer as suas habitações ou conservar alimentos”.

Em 2017, a Assembleia da República aprovou, por unanimidade, um projeto de resolução para que seja fornecida eletricidade aos conglomerados habitacionais precários. Contudo, apesar da ampla vontade expressa no parlamento, o Bairro da Torre continua sem contratos de luz deste 2016, ao que se soma a ausência de água canalizada.

Bloquistas confrontam Câmara de Loures com ausência de recolha de lixo ilegalmente depositado no Bairro da Torre

Segundo os Bombeiros de Camarate que, na madrugada deste domingo conseguiram controlar o incêndio que destruiu várias habitações no Bairro da Torre, deixando 13 famílias desalojadas e sem os seus pertences, o fogo, que terá tido origem numa barraca, progrediu rapidamente para outras habitações devido ao lixo, altamente inflamável, que lá se encontra ilegalmente depositado.

O deputado municipal bloquista, Carlos Gonçalves, através de um requerimento entregue, esta segunda-feira, na Assembleia Municipal de Loures, pretende saber por que motivo é que o lixo e o entulho não têm sido recolhidos, o que teria, no mínimo, diminuído a dimensão do desastre e evitado a rápida evolução do incêndio.

Por outro lado, os bloquistas lourenses pretendem ainda saber que diligências é que o executivo liderado por Bernardino Soares (PCP) tem tomado para que os moradores sejam definitivamente realojados e quando é que vai colocar os balneários no bairro, conforme prometeu em janeiro.

O Bloco de Esquerda de Loures acusa ainda a Câmara Municipal e o Governo de terem “responsabilidades significativas” na situação que potenciou o incêndio.

Para Fabian Figueiredo, dirigente nacional do Bloco e candidato à Câmara Municipal de Loures nas últimas autárquicas, “é inaceitável que a situação do Bairro da Torre continue a arrastar-se após diversas promessas de realojamento e de melhoria das condições de vida das famílias que ainda lá residem”.

Para o dirigente bloquista, “ontem, por sorte, não houve vítimas a lamentar, mas a situação atual do bairro é bastante propícia a novas tragédias”.

Visita ao Bairro da Torre | ESQUERDA.NET

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