Bloco exige explicações sobre ofensas de banqueiro alemão

17 de dezembro 2011 - 0:56

Miguel Portas e Marisa Matias questionaram por escrito o Presidente do Banco Central Europeu sobre as declarações de Jens Weidmann, conselheiro do BCE e presidente do banco central alemão, que comparou os países endividados a bêbados viciados em dívida. Questionado no Parlamento, Passos Coelho deu uma gargalhada antes de responder a Louçã que não tem que justificar "as imagens metafóricas" do banqueiro alemão.

PARTILHAR
Presidente do Banco Central Alemão diz que os portugueses são como bêbados viciados em dívida.

Os parlamentares do Bloco de Esquerda perguntam se o Presidente do BCE "subscreve as afirmações deste responsável do BCE" e, caso não as subscreva, querem saber "por que motivo não emitiu qualquer esclarecimento".



"Independentemente das sua opinião sobre as palavras em causa, considera que membros do Conselho de Governadores do BCE possam, ao abrigo do seu «direito de opinião», proferir declarações notoriamente ofensivas da dignidade dos povos e dos estados europeus?", questionam ainda.

 

A pergunta é dirigida a Mario Draghi, presidente do BCE. Ao abrigo do regulamento, a resposta deve ser remetida por escrito, caso contrário é agendada como ponto de discussão na próxima reunião da Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu que conte com a presença do Presidente do BCE.

 

"É como um alcoólico dizer que a partir de amanhã vai estar sóbrio e a respeitar as regras, mas que esta noite precisa de beber". "Não creio que seja bom dar uma garrafa a um alcoólico. Não servirá para o ajudar a resolver o seu problema", declarou o membro do Conselho do BCE e presidente do Banco Central Alemão Jens Weidmann.



Francisco Louçã também levantou a mesma questão no debate quinzenal com Passos Coelho na Assembleia da República, o que motivou risos do primeiro-ministro português. "Aí tem a solidariedade europeia que lhe oferecem", afirmou Louçã. "Todos os países têm as suas imagens metafóricas que precisam de em certas circunstâncias justificar melhor. Eu não me sinto na necessidade de justificar as imagens metafóricas do presidente do Bundesbank", respondeu Passos Coelho.