Bloco diz que recessão continua

14 de agosto 2013 - 12:57

José Gusmão afirma que a continuação da recessão económica está expressa na variação homóloga do PIB (comparação com o mesmo trimestre de 2012) e sublinha que a variação positiva do 2º trimestre em relação ao 1º se deve, entre outros fatores, à decisão do Tribunal Constitucional de anular algumas das medidas do Orçamento de 2013, o que provocou uma diminuição menos acentuada do consumo.

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Para José Gusmão, o mais irónico é que o governo atacou a decisão do TC e agora canta vitória. Foto de Paulete Matos

O dirigente do Bloco de Esquerda José Gusmão afirmou que um dos fatores que explica a variação positiva do PIB no segundo trimestre de 2013 em relação ao primeiro é a redução menos acentuada do consumo devido à decisão a decisão do Tribunal Constitucional de anular algumas das medidas constantes no Orçamento de Estado para 2013.

“Este é talvez o aspeto mais irónico destes dados da economia. O governo atacou violentamente a decisão do TC de proibir algumas das medidas do Orçamento, mas curiosamente a decisão do TC está a provocar alguns dos primeiros dados positivos a que a economia portuguesa assistiu durante muito tempo. O governo vai agora cantar vitória com as consequências macroeconómicas de uma decisão do TC que atacou violentamente quando foi tomada”, salientou.

De acordo com os dados do INE, o Produto Interno Bruto (PIB) português cresceu 1,1% no segundo trimestre, face ao trimestre anterior, interrompendo um movimento de queda que dura desde os últimos três meses de 2010. No entanto, em termos homólogos o PIB continua a cair. A quebra apresentada neste segundo trimestre do ano foi de 2% face ao segundo trimestre do ano passado.

Fim da recessão é no mínimo precipitado”

“O dado do crescimento do PIB em cadeia deve ser temperado com a continuação da recessão económica que está expressa na variação homóloga do PIB, ou seja, na comparação com o mesmo trimestre de 2012 e essa comparação é de menos 2%, portanto, falar do fim da recessão é no mínimo precipitado”, disse José Gusmão.

“Embora ainda não haja uma decomposição da análise do INE”, o economista do Bloco considerou que o aumento se deve a dois fatores fundamentais: “um crescimento das exportações e a diminuição do investimento e do consumo”. No caso das exportações, há dois fatores significativos: a melhoria da conjuntura internacional e o aumento da capacidade de refinação da Galp.

Novo pacote de austeridade vai desbaratar ténues sinais

Quanto à desaceleração da redução do consumo, os dados divulgados pelo INE demonstram, para o dirigente do Bloco, que a compressão do consumo através das políticas de austeridade é uma má política.

“Sabemos que o governo se prepara, depois das autárquicas, para avançar com um novo pacote de austeridade, ou seja, provavelmente, vai desbaratar os ténues sinais de retoma mais por mérito do TC do que do governo”, concluiu José Gusmão.