O primeiro-ministro esteve esta quarta-feira no Parlamento para o debate quinzenal com os deputados. Na sua intervenção, Fabian Figueiredo desafiou Luís Montenegro para que “retire de uma vez por todas Portugal da rota da guerra, como fez Espanha, Irlanda, Bélgica ou a Áustria” e evite que seja imposta aos portugueses “uma taxa de guerra injusta nas contas do dia a dia”.
Para isso, acrescentou, são necessárias medidas urgentes como a regulação dos preços do combustíveis e da energia, o IVA zero nos produtos do dia a dia, mas também “pedir à Caixa Geral de Depósitos que tenha finalmente uma política de crédito pública para controlar o preço da prestação da casa”.
“Não podem ser as famílias a pagar por esta irresponsabilidade pela qual não têm nenhuma culpa”, afirmou o deputado do Bloco, depois de comparar Donald Trump ao rei português Afonso VI, que “era arruaceiro, errático, incapaz de distinguir os seus interesses pessoais dos interesses do reino”.
Mas se “Portugal percebeu cedo o que custa seguir um rei louco”, no momento atual em que Donald Trump “ameaça aliados, aplica tarifas como castigos e espalha o caos”, o primeiro-ministro português “aplaude, disponibiliza-lhe a Base das Lajes e chama a isso política externa”, criticou.
Na resposta, Luís Montenegro insistiu que “Portugal não acompanhou, não subscreveu, não participou no despoletar desta operação”, mas “assumiu responsabilidades relativamente à utilização de uma base militar ao abrigo do acordo que tem com um aliado”. E sobre a utilização da Base das Lajes nos ataques ao Irão, afirmou que “tanto quanto nos tem sido dado a conhecer e a fiscalizar”, tem cumprido “os pressupostos subjacentes à autorização que foi dada” pelo Governo.
Fabian Figueiredo abordou também uma iniciativa do Bloco discutida no Parlamento na semana passada para garantir a baixa a 100% dos doentes com cancro. “Um doente com cancro já trava a batalha mais difícil da sua vida e não deve ser obrigado a uma dupla batalha pelo seu sustento”, afirmou o deputado bloquista, desafiando o primeiro-ministro para que no próximo Orçamento do Estado se possa fazer da baixa a 100% para os doentes com cancro uma causa que una as várias bancadas. Um desafio que não teve resposta, com Luís Montenegro a remeter essa e outras questões para o futuro debate orçamental.