Depois de ter estado totalmente inacessível entre 2 e 4 de abril, o portal do governo disponibilizou durante duas semanas, segundo a Exame Informática, dados que poderiam ser explorados por hackers e, eventualmente, utilizados por estes num ataque massivo a este portal.
Em declarações à agência Lusa, a deputada do Bloco de Esquerda Catarina Martins afirmou que é fundamental que o governo assuma esta falha e assegure a reformulação do portal do governo e a reavaliação do contrato com a empresa que trata do mesmo.
Para Catarina Martins, "é inacreditável que, por um lado, o portal do governo, que é o órgão oficial do governo, pura e simplesmente não funcione e tenha tanta falta de informação e, por outro, é inaceitável perceber que pode estar vulnerável do ponto de vista da segurança e que, por isso, podem ter sido retirados dados do Portal que são importantes".
A dirigente bloquista criticou a impossibilidade de encontrar, neste espaço, o histórico dos antigos governos, inclusive os documentos relativos ao Programa de Estabilidade e Crescimento ou ao memorando de entendimento com a troika. "Documentos de que o Governo fala todos os dias, mas que não disponibiliza", conforme frisou Catarina Martins.
"Não se pode fazer de conta que o país nasceu no dia a seguir às eleições", afirmou a deputada bloquista, acusando ainda o governo de falhar na "transparência e acesso à informação", ao retirar "informação útil e prática", como o calendário escolar, currículos, o estatuto do aluno ou as regras da ação social escolar, do portal do governo.
Segundo Catarina Martins, o Bloco vai "exigir respostas por escrito" a Miguel Relvas, adiantando que "não tem sentido nenhum que o Governo continue a fazer de conta que está tudo bem e que não atue" nesta matéria.
Já no início do mês, a deputada do Bloco tinha denunciado que o portal do Governo esteve "em baixo", contudo, e apesar da veracidade destas informações, o deputado do CDS-PP Adolfo Mesquita Nunes garantiu ter tido acesso, certamente especial, ao portal e aos documentos.