Bielorrússia: opositores detidos por “colocarem em risco a segurança nacional”

10 de setembro 2020 - 11:01

Com as duas detenções dos últimos dias, o Conselho de Coordenação da oposição bielorrussa passa a ter apenas um membro em liberdade no país: a Nobel da Literatura Svetlana Alexievich.

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Bielorrússia: opositores detidos por “colocarem em risco a segurança nacional”
Manifestação da oposição na Bielorrússia. Agosto de 2020. Foto de Yauhen Yerchak/EPA/Lusa.

Nos últimos dias, duas figuras da oposição na Bielorrússia foram detidas. Hoje, a Comissão de Investigação do país pronunciou-se sobre a matéria, explicando que Maria Kolesnikova e Maxime Znak foram detidos por “colocarem em risco a segurança nacional”. 

Quer Kolesnikova, quer Znak fazem parte do “Conselho de Coordenação” da oposição, realizaram “ações visando desestabilizar a situação sociopolítica e económica (…) do país e comprometer a segurança nacional”, segundo um comunicado daquele organismo responsável pelos principais processos criminais na Bielorrússia.

Depois de os apoiantes de Maria Kolesnikova terem denunciado publicamente o seu sequestro por uma série de homens encapuzados na passada segunda feira, a opositora a Lukashenko foi detida pela polícia bielorrussa na fronteira com a Ucrânia. Esta situação levou mesmo a que o governo alemão acusasse o país de usar  "métodos do oeste selvagem".

Já Maxime Znak foi detido na quarta feira de manhã, também por um grupo de homens encapuzados. A denúncia foi feita pelos seus apoiantes, lembrando que Znak era um dos poucos membros do Conselho de Coordenação da oposição bielorrussa que ainda se encontrava no país e em liberdade. 

Também Svetlana Alexievich, vencedora do Prémio Nobel da Literatura em 2015, viu o seu escritório ser alvo de uma tentativa de arrombamento por homens que correspondem à mesma descrição. Alexievich é agora a única membro do Conselho de Coordenação da oposição no país e em liberdade.

Svetlana Tikhanovskaya, principal opositora a Alexandre Lukashenko nas últimas eleições presidenciais, já veio exigir a libertação imediata dos membros do Conselho de Coordenação da oposição e dos presos políticos. Tikhanovskaya encontra-se exilada na Lituânia há quase um mês e meio, tendo abandonado a Bielorrússia dias depois de terem eclodido as manifestações que contestam a eleição de Lukashenko, no poder desde 1994. 

O processo eleitoral bielorrusso não é reconhecido pelos manifestantes, que acusam de fraudulentas as eleições que conduziram o presidente ao seu sexo mandato consecutivo. 

Desde as eleições foram detidos dezenas de milhares de manifestantes e alguns afirmam ter sido alvo de tortura durante as detenções. 

A União Europeia, os Estados Unidos e milhares de países vizinhos  da Bielorrússia também não reconhecem a vitória de Lukashenko e pedem o fim da repressão policial.