Base de dados da PSP está ilegal

12 de fevereiro 2011 - 2:11

A base de dados de informações da PSP está ilegal, por conter informações sobre origem étnica, comportamentos privados, fé religiosa ou tendências políticas dos cidadãos. Bloco já questionou Ministro da Administração Interna.

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A base da PSP regista ilegalmente, por exemplo, convicções políticas e filiações partidárias ou sindicais, sendo que não há um tratamento diferenciado segundo o grau de fiabilidade da informação. Foto Fábio Salgado.

A base de dados de informações da PSP contém diversas infracções legislativas, no tratamento de dados pessoais e constitucionais. O Diário de Notícias avançou a notícia de que a Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) já pediu alterações aos procedimentos da PSP, mas esta nada mudou neste domínio.

A CNPD considera que a conservação de informações daquele tipo devia ser proibida, a não ser em situações de “absoluta necessidade para os fins de uma determinada investigação criminal”, segundo o mesmo jornal.

A base da PSP regista por exemplo convicções políticas e filiações partidárias ou sindicais, sendo que não há um tratamento diferenciado segundo o grau de fiabilidade da informação, sendo colocada “ao mesmo nível” informação “absolutamente fiável” com outra baseada apenas em boatos, segundo um documento da CNPD citado pelo Diário de Notícias.

O Ministério da Administração pediu há cerca de um ano um parecer à CNPD sobre um projecto de decreto-lei para adaptar a base de dados da PSP à nova realidade legislativa e tecnológica, cuja resposta foi enviada em Abril.

Desde logo, a comissão destacou a "desconformidade formal do projecto face às regras constitucionais", alertando para a necessidade de o Sistema de Informações e Operações Policiais (SIOP) ser regulado por uma lei, aprovada pela Assembleia da República, "por tratar de matéria relativa a direitos, liberdades e garantias".

Neste momento está tudo misturado: "Cadastro de condutores, cadastro de porte de arma, pedidos de detenção, pedidos de paradeiro, medidas de coacção aplicadas a arguidos, investigações criminais e até pedidos de vigilância discreta ou controlos específicos", diz a CNPD.

Por outro lado, a análise da CNPD constatou também que não havia um tratamento diferenciado para o grau de fidedignidade da informação recolhida pela PSP. Ou seja, uma informação cuja origem é absolutamente fiável é colocada ao mesmo nível de outra baseada apenas em "boatos".

Para o Bloco, tendo em conta o período decorrido sobre a apresentação deste Parecer da CNPD e a sensibilidade da matéria em causa “é inadmissível que o Governo nada tenha feito, mantendo uma situação ilegal e potenciadora de graves consequências nos direitos, liberdades e garantias”, lê-se na pergunta dirigida, esta semana, ao Governo, por via do Ministério da Administração Interna.

A deputada do Bloco Helena Pinto questiona o Governo sobre as razões que explicam o não terem sido tomadas medidas “no sentido de expurgar as ilegalidades”, sublinhando que o Ministério já tinha conhecimento dos alertas e propostas da CNPD desde Abril de 2010 e que a própria PSP apenas assume a implementação das medidas “oportunamente”.