Diana Santos é uma cidadã com deficiência motora e membro do Centro de Vida Independente. Decidiu ir votar antecipadamente no sábado passado, no Campus Universitário de Lisboa.
Refere que “apesar dos inúmeros avisos que esta Pandemia já nos deixou a respeito da nossa invisibilidade perante respostas que exigem para todos, escolhi, mais uma vez, confiar no Estado Português” e acrescenta que “dando o benefício da dúvida por estarmos a viver um estado de emergência sem precedentes nos meus 36 anos, acreditei ser importante para o meu Estado e fui votar antecipadamente de forma a minimizar os contatos no dia das eleições”.
Diana Santos relata uma verdadeira aventura, cheia de inúmeras dificuldades para exercer o seu direito de voto.
Dirigiu-se à Reitoria da Cidade Universitária, tal como foi indicado no habitual SMS onde informam do local de voto, mas afinal os eleitores “tinham recebido SMS para o mesmo local, mas os nomes estavam distribuídos em mesas de voto por todo o Campus Universitário”.
Diana foi direcionada para a Faculdade de Letras, mas afinal “as pessoas com voto antecipado em mobilidade têm salas específicas por região e que a minha seria na antiga cantina”. Quando chegou ao local, deparou-se que a sala de voto “tem 4 degraus para descer. Mas sou uma cidadã com deficiência motora até sortuda porque - como quase sempre - há uma porta alternativa que só tem um «degrauzinho»”.
Para a cidadã, esta situação foi ridícula, humilhante e denunciou também a falta de distância profilática existente no Campus Universitário. Diana Santos conseguiu votar ao fim de 1 hora e 15 minutos, em plena rua e regressou a casa depois de pagar 34,50€ pelo táxi. "Sou hoje uma cidadã com deficiência com a absoluta certeza de ser completamente ignorada pelo seu país!", concluiu.