As barreiras no voto antecipado de uma pessoa com deficiência motora

20 de janeiro 2021 - 10:00

Diana Santos, membro do Centro de Vida Independente, relatou nas redes sociais a sua experiência de voto antecipado no passado domingo em Lisboa. Ao fim de mais de uma hora, acabou por votar na rua por falta de rampas de acesso.

PARTILHAR
Diana Santos
Foto de Diana Santos | Facebook

Diana Santos é uma cidadã com deficiência motora e membro do Centro de Vida Independente. Decidiu ir votar antecipadamente no sábado passado, no Campus Universitário de Lisboa.

Refere que “apesar dos inúmeros avisos que esta Pandemia já nos deixou a respeito da nossa invisibilidade perante respostas que exigem para todos, escolhi, mais uma vez, confiar no Estado Português” e acrescenta que “dando o benefício da dúvida por estarmos a viver um estado de emergência sem precedentes nos meus 36 anos, acreditei ser importante para o meu Estado e fui votar antecipadamente de forma a minimizar os contatos no dia das eleições”.

Diana Santos relata uma verdadeira aventura, cheia de inúmeras dificuldades para exercer o seu direito de voto.

Dirigiu-se à Reitoria da Cidade Universitária, tal como foi indicado no habitual SMS onde informam do local de voto, mas afinal os eleitores “tinham recebido SMS para o mesmo local, mas os nomes estavam distribuídos em mesas de voto por todo o Campus Universitário”.

 

Diana foi direcionada para a Faculdade de Letras, mas afinal “as pessoas com voto antecipado em mobilidade têm salas específicas por região e que a minha seria na antiga cantina”.  Quando chegou ao local, deparou-se que a sala de voto “tem 4 degraus para descer. Mas sou uma cidadã com deficiência motora até sortuda porque - como quase sempre - há uma porta alternativa que só tem um «degrauzinho»”.

Para a cidadã, esta situação foi ridícula, humilhante e denunciou também a falta de distância profilática existente no Campus Universitário. Diana Santos conseguiu votar ao fim de 1 hora e 15 minutos, em plena rua e regressou a casa depois de pagar 34,50€ pelo táxi. "Sou hoje uma cidadã com deficiência com a absoluta certeza de ser completamente ignorada pelo seu país!", concluiu.