Barclays é condenado a multa de 362 milhões de euros

28 de junho 2012 - 13:47

Autoridades financeiras britânicas e norte americanas chegam a acordo com o Barclays para o pagamento de multas no valor total de 362 milhões de euros por tentativa de manipulação das taxas Libor e Euribor.

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A autoridade de serviços financeiros britânica (FSA), a comissão de negociação de futuros norte-americana (CFTC) e ainda o Departamento de Justiça dos Estados Unidos deram como provado que a agência financeira britânica tentou manipular a Libor e a Euribor – taxas de referência que indicam os juros aos quais os bancos se propõem emprestar uns aos outros e que afetam o custo dos empréstimos para milhões de clientes em todo o mundo.

As autoridades financeiras descrevem inúmeras violações que envolvem “um número significativo de funcionários”, incluindo gerentes seniores do banco. Segundo o CFTC, o "Barclays tentou manipular e fez relatos falsos sobre duas taxas de juro de referência mundial - Libor e Euribor - em inúmeras ocasiões e, às vezes, numa base diária, durante um período de quatro anos, começando em 2005".

Estas autoridades financeiras acabaram por firmar acordos com o Barclays, nos quais este se compromete ao pagamento de coimas no valor total de 362 milhões de euros.

Segundo a FSA, "o Barclays cooperou totalmente com a investigação e aceitou chegar a acordo num período inicial. A instituição qualificou-se assim para um desconto de 30% na multa”.

Em resultado das multas aplicadas ao Barclays, o seu presidente executivo, Bob Diamond, e três gestores do banco (Chris Lucas, Jerry del Missier e Rich Ricci) abdicaram dos bónus relativos a 2012. Contudo, eles estarão ainda em posição para obter pagamentos multi-milionários de ações.

Diamond, que conforme publica o Guardian, ganhou cerca de 125 milhões de euros do Barclays desde 2006 e que, à época, era responsável pela divisão onde se registaram as irregularidades, tem vindo a anunciar o compromisso do banco de atuar como um "bom cidadão", apesar do embate desta instituição com a HM Revenue & Customs sobre um esquema de evasão fiscal de mais de 625 milhões de euros e uma contenda com os acionistas sobre o seu pacote de remuneração, relativo a este ano, de mais de 21 milhões de euros.


A continuidade destes responsáveis, especialmente de Bob Diamond, à frente desta instituição financeira tem sido, contudo, posta em causa por inúmeras personalidades. Assim como também tem sido levantada a questão sobre quais poderão ser as consequências para os anteriores responsáveis do Barclays, como é o caso do então chefe executivo da instituição, John Varley, que, segundo o The Telegraph, é visto atualmente como um dos favoritos para o cargo de governador do Banco da Inglaterra.

As acusações que recaíram sobre o Barclays encontram-se enquadradas numa investigação internacional que envolve grandes instituições financeiras mundiais, como o francês Société Générale, os bancos suíços UBS e Credit Suisse, o alemão Deutsche Bank, os britânicos RBS e Lloyds Banking Group, o sino-britânico HSBC ou os americanos Citigroup, JP Morgan Chase e Bank of America.

Na bolsa londrina, as ações do Barclays caíram 7,4% para 182p a meio da manhã desta quinta feira.