Os bancos portugueses já tinham pressionado o governo, no final de agosto, para que o chamado “banco bom” que saiu do BES fosse vendido o mais rapidamente possível, de preferência até ao final do ano, segundo o Jornal de Negócios. Argumentavam que era fundamental evitar que o banco perdesse valor com o arrastar do processo, dificultando a recuperação do capital injetado através do Fundo de Resolução.
Por outro lado, embora não fosse assumido, parece óbvio que os banqueiros viam com maus olhos estarem a contribuir para fortalecer um concorrente.
A venda rápida não era, porém, o horizonte de Vítor Bento, Moreira Rato e José Honório, que só tinham aceitado ficar à frente do Novo Banco na perspetiva de uma revalorização da instituição a médio prazo. O governo terá aceitado essa exigência, argumentando até que a alteração legislativa preparada pelo governo estabelecia que o seu mandato poderia ser mais amplo do que uma venda a curto prazo.
Parece óbvio que os banqueiros viam com maus olhos estarem a contribuir para fortalecer um concorrente
As pressões para uma venda rápida, porém, prosseguiram e até Cavaco Silva se envolveu na questão, ao dizer em 7 de setembro que esperava que o governo lhe comunicasse factos relevantes que tivessem acontecido, porque era essa a sua obrigação. Estava a referir-se a uma eventual demissão de Vítor Bento, a quem Cavaco nomeara conselheiro de Estado antes da nova função no BES/Novo Banco.
Banqueiros consultados
Segundo o Jornal de Negócios, os banqueiros foram consultados sobre a composição da equipa de administração que substituiu Vítor Bento, liderada por Eduardo Stock da Cunha, que depois de passar 20 anos no Santander está agora na administração do Lloyd's Bank, trabalhando diretamente com Horta Osório. Aliás, o mandato de Stock da Cunha para vender o Novo Banco rapidamente é tão claro que o banqueiro pediu para suspender as funções no Lloyd's, ao qual pretende voltar logo que seja concretizada a venda.
Feitas as contas, Vítor Bento, apresentado como o salvador do BES quando foi nomeado pela primeira vez, ainda antes do Novo Banco, acabou por ficar na instituição um mês e meio.
No domingo, Paulo Portas desferiu um acusação indireta contra ele: “Queremos que se superem etapas difíceis com profissionais, e por gente que tinha espírito de missão e gente que perceba que o mais importante é devolver aquele banco ao mercado de modo a não prejudicar as nossas empresas”, disse, num evento do CDS em Peniche.