Austeridade provoca queda histórica nos salários e consumo

14 de maio 2011 - 16:41

No mesmo dia em que se soube que Portugal já entrou em recessão técnica no primeiro trimestre, a Comissão Europeia veio agravar as perspectivas para os próximos tempos avaliando negativamente os efeitos da “ajuda” do FMI. O desemprego sobe aos 13 por cento já em 2012.

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Foto de Paulete Matos.

Nas suas previsões de Primavera, a Comissão Europeia (CE) aponta para dois anos de recessão e um desemprego recorde. As medidas de austeridade já aplicadas e as que decorrem do acordo de ajuda externa entre a própria CE, o BCE e o FMI vão ter um impacto enorme na vida das pessoas, atirando o consumo privado para a maior queda de sempre e os salários reais para o maior recuo desde 1984, altura em que o FMI também interveio em Portugal.

Segundo as previsões anunciadas, os gastos das famílias vão ressentir-se com os cortes salariais, os aumentos de impostos, a inflação, a subida das taxas de juro e o desemprego. A CE prevê que, em 2011, o consumo privado recue 4,4 por cento e outros 3,8 em 2012. Será a maior queda deste indicador desde que há registos dos dados. Os salários vão também ressentir-se com as medidas de austeridade, desde logo devido ao corte de 5 por cento nos rendimentos dos funcionários públicos.

Já os salários reais vão descer 3,6 por cento este ano e outros 1,9 em 2012, naquela que é a maior queda entre os países da zona euro. O novo recuo das remunerações em 2012 espelha já que a economia fará um ajustamento salarial por baixo. As medidas de flexibilização laboral acordadas com a União Europeia (UE) e o FMI, a facilitação do despedimento e o nível recorde de desemprego irão pressionar os vencimentos dos novos contratados, reduzindo o nível geral das remunerações.

Os gastos com prestações sociais (subsídio de desemprego, abonos de família ou o rendimento social de inserção) vão sofrer uma redução, na sequência das medidas de austeridade já previstas no Orçamento do Estado de 2011 e as exigidas pela própria troika. A CE prevê que, este ano, os encargos do Estado com os apoios sociais atinjam o nível mais baixo desde 1999. Esses encargos, em percentagem do PIB, vão mesmo registar em 2011 a maior descida desde 1983 (-1,3 por cento).

Sobre o desemprego, a CE projecta um aumento em Portugal para os 12,3 por cento este ano e 13 por cento no próximo, antecipando num ano a meta apontada pelo ministro das Finanças na conferência de apresentação do acordo com a troika.