Austeridade na UE esquece os direitos humanos, acusa AI

05 de maio 2013 - 11:57

No dia em que entra em vigor o Protocolo que permite aos cidadãos procurarem justiça junto da ONU se estiverem em causa direitos básicos, a Amnistia Internacional Portugal diz que as medidas de austeridade na Europa têm ignorado o seu impacto para os direitos humanos.

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Foto Paulete Matos

O Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, que entra agora em vigor, já foi ratificado por dez países, entre os quais Portugal e outros dois Estados-membros da UE, a Espanha e a Eslováquia. O documento conta com a assinatura de Bélgica, Eslovénia, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália e Luxemburgo, mas falta a estes países a ratificação do Protocolo que "é essencialmente um mecanismo de justiça em sede de direitos económicos, sociais e culturais", explica Teresa Pina. 

O protocolo permite que após esgotadas as instâncias da justiça do país que o subscreveu, qualquer pessoa possa dirigir-se às Nações Unidas em busca de justiça, quando estão em causa direitos básicos como água, saúde, segurança social, habitação ou educação. A Amnistia Internacional (AI) lembra que as obrigações decorrentes do Direito Internacional obrigam os Estados "a terem em conta, mesmo numa altura de recessão e de depressão económica, a uma série de direitos económicos e sociais, neste caso, mínimos".

"A questão dos direitos humanos tem estado ausente das respostas que têm sido previstas ou decididas para fazer face à crise", disse  Teresa Pina, diretora executiva da AI, à agência Lusa.

"Atendendo aos efeitos da crise económica e financeira no próprio espaço europeu, particularmente em alguns países, a AI dirige-se, pela primeira vez, à UE para que tome a iniciativa de sensibilizar os responsáveis pela tomada de medidas, com efeito em termos económicos e sociais, justamente para o seu impacto nos direitos humanos", referiu Teresa Pina. A AI refere-se em particular aos mais vulneráveis: "os idosos, as crianças, os desempregados e minorias que eventualmente se encontrem menos protegidas em certos países".