Em declarações à agência Lusa, Constantino Sakellarides, que irá participar esta quarta e ainda quinta feira numa reunião promovida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Observatório Europeu de Saúde Pública sobre “o impacto da crise financeira na saúde da população europeia”, que terá lugar em Oslo, defendeu que “as políticas de saúde têm que ser consertadas com outras políticas” e afirmou-se contra “o que está a acontecer atualmente na Europa: primeiro toma-se a decisão de ordem financeira, depois espera-se para ver se a economia cresce e depois vê-se o seu impacto sobre o bem-estar das pessoas”. “Isto é a negação das políticas públicas”, frisou o ex director geral da Saúde.
O dirigente do OPSS afirmou ainda que o país tem “um programa da troika inadequado, porque pede ao país para fazer em muito pouco tempo o que não é possível fazer bem nesse período de tempo”.
“Temos cumprido, quase à risca, o que a troika nos pede. Mas o que a troika nos pede não é razoável”, vincou. “Estão a pedir-nos para fazer coisas que não são razoáveis, não são objetivas, não estão documentadas, não têm lógica nenhuma, são um abuso”, reforçou Sakellarides.
O especialista em saúde pública garantiu que “o que a 'troika' pede põe em causa o bem-estar dos portugueses em geral e a saúde também” e advogou que devia ser contabilizado com mais exactidão o impacto da crise sobre a saúde.