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Aumenta a pressão contra a extradição de Assange

Especialistas europeus em direitos humanos, entre os quais a comissária do Conselho da Europa Dunja Mijatović, pediram ao governo britânico que se oponha à extradição de Julian Assange para os Estados Unidos. Grupo de deputados do Parlamento Europeu promoveram protesto em Bruxelas.
Fotografia publicada por Marisa Matias.

Terminou esta quarta-feira o prazo dado pelo Tribunal de Westminster para os advogados de Assange juntarem elementos junto do Governo britânico para contestar a possibilidade da sua extradição. A partir de agora, o executivo pode anunciar a sua decisão a qualquer momento. Numa carta publicada na quarta-feira, a comissária de Direitos Humanos do Conselho da Europa, Dunja Mijatović, exortou a secretária do Interior do Reino Unido, Priti Patel, a não extraditar Julian Assange.

“A natureza ampla e vaga das alegações contra Assange e dos crimes listados na acusação são preocupantes, pois muitos deles dizem respeito a atividades no centro do jornalismo de investigação na Europa e além”, refere Mijatović.

“Consequentemente, permitir a extradição de Assange nessa base teria um efeito assustador na liberdade de imprensa e poderia, em última análise, dificultar a execução da sua tarefa como divulgadora de informações e fiscalizadora pública em sociedades democráticas”, continua.

Também esta quarta-feira um grupo de trinta deputados e deputadas do Parlamento Europeu protestou em frente à entrada da sede desta instituição, exigindo a libertação de Assange, que está detido na prisão de Belmarsh, em Londres.

Na sua conta de Twitter, Marisa Matias escreveu que “a extradição de Julian Assange para os EUA abre um perigoso precedente para o jornalismo e para a liberdade de imprensa”. A dirigente do Bloco de Esquerda defende que “é preciso libertar Julian Assange e já, não extraditá-lo”.

Noutra publicação, Marisa assinalou que, “sem a divulgação pela Wikileaks dos documentos revelados por Chelsea Manning, não saberíamos o grau ou extensão dos crimes de guerra cometidos pelos EUA e outros”.

No entanto, “ninguém foi responsabilizado por eles mas Julian Assange foi criminalizado por permitir ao mundo conhecê-los”.

O destino de Julian Assange está neste momento nas mãos de Priti Patel, que brevemente se irá pronunciar sobre a extradição do fundador do Wikileaks. Os EUA pretendem julgar Assange pela suposta conspiração para obter e divulgar informações de defesa e segurança. A perseguição norte-americana repousa no facto de o WikiLeaks ter publicado milhares de documentos relacionados com as guerras lideradas pelos EUA no Iraque e no Afeganistão.

Se condenado, Assange provavelmente enfrentará uma sentença de prisão perpétua. Em 2021, um tribunal britânico decidiu que o fundador do Wikileaks poderia ser extraditado apesar das advertências da sua equipa jurídica sobre o seu estado de saúde.

A campanha Don't Extradite Assange Campaign tem apelado ao envio de cartas ao primeiro-ministro Boris Johnson e às secretário do Interior Priti Patel que "podem e devem impedir a extradição de Julian Assange". O abaixo assinado dos Repórteres sem Fronteiras recolheu 64 mil assinaturas  e a organizaçao tentou entregá-las ao Ministério do Interior britãnico, que se recusou a recebê-las, tendo seguido por correio e email. Representantes desta organização de jornalistas entregaramtambém as assinaturas nas embaixadas britânicas em Madrid, Argel, Washington, Paris, Berlim e no consulado do Rio de Janeiro.

 

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