Justamente no local e à hora a que o Sud Expresso e o Lusitânia apitavam e partiam rumo a Madrid e a Hendaye, os ativistas pela redução do tráfego aéreo e por uma mobilidade justa e ecológica “farão uma festa todas as primeiras sextas feiras do mês, até poderem festejar a reposição destes comboios”.
A campanha ATERRA recorda “que os únicos comboios noturnos que ligavam Portugal à Europa foram suspensos em março de 2020, a pretexto da pandemia da Covid-19, e ainda não foram repostos”.
“Entretanto, Lisboa é uma das únicas duas capitais europeias sem nenhuma ligação ferroviária internacional, algo que em 133 anos nunca tinha acontecido, senão durante a guerra civil espanhola e as duas guerras mundiais”, lembra a ATERRA em comunicado.
“Calam-se os comboios, mas a cidade não dorme com o barulho dos aviões. Fecham-se linhas e ligações ferroviárias, mas lança-se um projeto de expansão do aeroporto de Lisboa, que prevê quase duplicar o número de passageiros e de movimentos aéreos. O avião é o mais injusto e o mais poluente de todos os meios de transporte; é a atividade humana cujo contributo para o colapso climático mais cresce”, continua.
A campanha defende que “os comboios noturnos são a alternativa mais ecológica ao avião e aos aeroportos”, sendo “o futuro das viagens internacionais”. E lembra que perto de 10 mil pessoas já assinaram a petição internacional pelo regresso do Sud Expresso e do Lusitania.
“Queremos comboios noturnos em vez de voos noturnos. Queremos dançar numa cidade e num planeta saudáveis. Queremos festejar poder de novo partir para a Europa de comboio”, lê-se na missiva.