Os ambientalistas da associação Zero pedem às cidades portuguesas para reduzirem a poluição atmosférica através da retirada dos carros dos centros urbanos, incentivo a deslocações a pé e de bicicleta, promoção de transportes públicos sustentáveis e acessíveis e expansão das áreas verdes.
Por ocasião do Dia Internacional do Ar Limpo para um céu azul de 7 de setembro, instituído pelas Nações Unidas e celebrado este ano pela primeira vez, a Zero - Associação Sistema Terrestre Sustentável sublinha que “a poluição do ar é o maior risco ambiental para a saúde humana e uma das principais causas evitáveis de morte e doenças em todo o mundo”.
O comunicado, construído em conjunto com a Aliança Europeia de Saúde e Ambiente (HEAL) e ao qual a Lusa teve acesso, lança um apelo específico à Câmara Municipal de Lisboa, pedindo-lhe que atue para preservar a redução atual de 25% na poluição do ar.
Citando uma análise dos níveis de concentração de dióxido de azoto (NO2) nas estações de monitorização de tráfego da Avenida da Liberdade, Entrecampos, Santa Cruz de Benfica e Olivais (a que regista maiores concentrações), a associação refere que, no período de maiores restrições impostas pela pandemia da covid-19 (entre 13 de março e 03 de maio), houve uma redução da concentração de dióxido de azoto próxima dos 60% (59% em Entrecampos e 57% na Avenida da Liberdade).
Vamos tornar as nossas cidades lugares saudáveis: Melhorar a #QualidadedoAr é um primeiro passo fundamental. A queima de...
Posted by ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável on Sunday, 6 September 2020
Apelando à “capacidade de se implementar de forma progressiva um conjunto de medidas que consigam no futuro garantir o cumprimento da legislação e melhorem a qualidade de vida numa das áreas mais nobres da cidade”, a associação considera que, a par da “construção de ciclovias que tem vindo a ter lugar, é absolutamente crucial que a Câmara Municipal de Lisboa aumente o nível de ambição das Zonas de Emissões Reduzidas”.
“Em toda a Europa as pessoas perceberam quão importante é preservarmos a saúde e Lisboa como Capital Verde Europeia não pode desperdiçar esta oportunidade de fazer uma recuperação ambientalmente exemplar”, defendem os ambientalistas.
No documento são feitas quatro exigências para que “todas as cidades [portuguesas] sejam mais saudáveis”, como a criação de áreas pedonais nos centros urbanos, livres de carros, o incentivo ao andar a pé e ao uso de bicicletas, com a “expansão de ciclovias seguras dentro e em redor do centro da cidade”.
Além disso, propõem a criação de “alternativas ou melhorias do transporte público confiáveis, acessíveis, económicas para todos e sem uso de combustíveis fósseis” e “penalização do uso do carro nos acessos ao interior das cidades que estejam bem servidas por transporte público”.
A quarta proposta passa pela “expansão de áreas verdes e construção de corredores ecológicos nas cidades incluindo parques, jardins comunitários ou plantação de fachadas”, bem como a melhoria significativa das “ofertas de desporto, jogos e recreação para todas as idades, com locais gratuitos para exercícios ao ar livre”.
“As cidades devem pertencer às pessoas, não aos carros – as cidades precisam de ser construídas e repensadas para o usufruto de uma melhor qualidade de vida pelos seus habitantes e por quem as frequenta. Reduzir o uso do carro é bom para a saúde, a produtividade, a habitabilidade urbana e a economia”, conclui a associação.