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Assassínios em massa esvaziam prisões sírias

Audiências de minutos resultam em sentenças de mortes. A prisão militar de Saydnaya, outrora com 20 mil detidos, tem hoje espaços vazios.
Fotografia: commons/wikimedia.org
Fotografia: commons/wikimedia.org

A peça jornalística é de Louisa Loveluck e Zakaria Zakaria e foi publicada no Público. De acordo com a informação dada, à medida que o governo sírio reganha o controlo após anos de guerra civil, o exército de Bashar al-Assad aumenta o número de execuções de presos políticos. Neste sentido, há juízes militares que aceleram o ritmo de condenações à pena de morte. A informação terá sido dada por vários sobreviventes de Saydnaya.

Terão sido dezenas os Sírios que foram recentemente libertados de Saydnaya, que fica em Damasco, e que descreveram uma campanha política do governo com o objetivo de livrar-se dos detidos. As testemunhas afirmam que os prisioneiros estão a ser transferidos de várias prisões de toda a Síria para se juntarem a detidos no corredor da morte em Saydnaya. Depois disto, são executados em enforcamentos. A velocidade destas execuções está a esvaziar a prisão, havendo pelo menos uma secção quase vazia.

Algumas destas testemunhas também foram condenadas à morte, tendo conseguido escapar após um pagamento de dezenas de milhares de dólares pela sua libertação por parte das famílias.

Os julgamentos duram no máximo três minutos, os detidos não têm advogados e não é incomum assinarem confissões sob tortura.

Os sete anos de guerra culminaram, para já, em mais de cem mil sírios desaparecidos. Ainda que todas as partes envolvidas no conflito tenham participado em prisões, raptos e assassinatos, a Rede Síria para os Direitos Humanos estima que até 90 por cento tenham passado por uma rede de prisões do governo. Aí, a tortura, a subnutrição e outras formas de tratamento letal eram usadas com o objetivo de matar.

Estes relatos aconteceram numa altura em que decorrem negociações de paz em Astana, quando os rebeldes se encontram praticamente derrotados, relegados a uma pequena zona no noroeste do país. Rússia, Irão e Turquia tentam negociar um fim para o conflito.

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