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Arménio Carlos quer que PCP corrija posição sobre invasão da Ucrânia

Este partido não classifica o sucedido como invasão, o que o ex-secretário-geral da CGTP e militante de base critica, acrescentando que esta posição “não foi só um problema de comunicação”.
Arménio Carlos em 2020 no Congresso da CGTP-IN. Foto de Mário Cruz/Lusa.

Em entrevista ao programa Hora da Verdade, do Público/Renascença, o ex-secretário-geral da CGTP criticou a posição do PCP, partido do qual é "militante de base por opção", sobre a guerra na Ucrânia. Arménio Carlos desafia o partido a “corrigir” a posição que tem tido, nomeadamente ao ser incapaz de dizer que se trata de uma invasão.

Para ele, o que se tem passado “não foi só um problema de comunicação” e o PCP deveria dizer que “não correu bem, não era aquilo que pensávamos, corrigir”. E a eleição de um novo secretário-geral do partido pode ser ocasião para acabar com o “estigma” criado nesta matéria que faz com que este esteja a ser “queimado em lume brando” e a sofrer uma “tentativa de descredibilização”. Aliás, o ex-líder sindicalista vê nas recentes intervenções de Paulo Raimundo “algumas nuances”.

Numa entrevista em que não fala da natureza do regime de Putin nem menciona a sua política externa, Arménio Carlos reitera, contudo, vários pontos da análise do PCP. Ou seja, apesar de dizer que “houve invasão” e que esta foi “supostamente para defender as populações russófonas” mas que “a Rússia já alargou o seu espaço de ocupação”, faz igualmente questão de afirmar que “temos de dizer que, tal como não estamos de acordo com a invasão da Ucrânia, também não estamos de acordo com aquilo que se passou desde 2014”, uma situação que explica como sendo uma “ingerência dos Estados Unidos” que “leva a um golpe de Estado” e à ilegalização do Partido Comunista da Ucrânia. Ou seja, reduz-se o “que está subjacente a todo este processo que se está a passar na Ucrânia” a “uma tentativa de enfraquecimento da Rússia, que é para depois se alterar a relação de forças com a China” e a “questão de fundo” à “ingerência dos Estados Unidos já há muitos anos a esta parte”.

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