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Após 37 anos, Battisti chega a Itália

Cesare Battisti desembarcou esta segunda-feira no aeroporto de Ciampino, Roma, depois de ter sido entregue às autoridades italianas em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. Battisti deixou a Itália depois de fugir da prisão em 1981 e nunca mais voltou ao país.
Fotografia: commons/wikimedia.org
Fotografia: commons/wikimedia.org

Battisti foi capturado no passado sábado por agentes bolivianos em parceria com italianos depois de ter fugido do Brasil, onde a Polícia Federal o procurava.

Battisti será levado à prisão de Rebibbia, nos arredores de Roma, onde começará a cumprir a pena de prisão perpétua que lhe foi atribuída em 1991, sozinho numa cela, cumprindo um regime de isolamento diurno. Posteriormente, será transferido para a ala de segurança máxima, reservada a terroristas.

Considerado terrorista pelas autoridades brasileiras e italianas, Battisti foi condenado pelo assassinato de quatro pessoas nos anos 70, altura em que integrava o grupo Proletários Armados pelo Comunismo.

Contudo, Battisti sempre reclamou a sua inocência e foram detetadas várias irregularidades ao longo do processo. A acusação contra Battisti baseou-se, única e exclusivamente, nas declarações de alguns membros também pertencentes aos Proletários Armados pelo Comunismo, que, além de terem caído várias vezes em contradição, beneficiaram de diminuição da sua pena em troca da colaboração com a justiça.

Foram várias as vozes que, ao longo dos anos, se opuseram à extradição de Cesare Battisti, alegando que este foi transformado num ‘bode expiatório’ de um processo político público que visa originar um linchamento.

Battisti fugiu de Itália nos anos 80, escondeu-se em Paris e seguiu para o México, onde ficou durante 10 anos, até fugir de novo para França, onde viveu durante 15 anos. Em 2004, fugiu para o Brasil e viveu foragido até ser preso em 2007. Foi solto em 2011, quando Lula lhe negou a extradição e concedeu o estatuto de refugiado político. Em 2017, foi preso na Bolívia, mas ficou livre três meses depois. Temer autorizou a extradição no final do ano passado e Battisti voltou a ficar foragido, até ser preso neste sábado na Bolívia.

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