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Apoios para a Cultura são “insuficientes, tardios e não chegam a todos”

Marisa Matias lembrou que o setor foi dos primeiros a parar e defendeu a necessidade de “garantir apoios para que as pessoas possam sobreviver” e que o Estado "não possa estar a poupar dinheiro à custa de compromissos que já estavam assumidos”.
Marisa Matias
Marisa Matias na sala vazia do cinema São Jorge em Lisboa para encontro com profissionais da Cultura. Foto de Ana Mendes.

Foi na sala vazia do Cinema São Jorge, em Lisboa, que Marisa Matias se reuniu esta segunda-feira, com Catarina Côdea e com João Nunes Monteiro, afetados com a paragem que desde março arrasou todo o setor da Cultura.

Catarina, desenhadora de luz, contou que tinha uma série de espetáculos agendados para este ano e outras marcações que tem vindo a adiar. O apoio que recebeu foi de 438 € ("aos quais retiramos 140 € de segurança social e 11% de IRS") - e nem todos conseguiram receber apoios.

É nesta corda bamba que vivem os trabalhadores independentes nesta área, nunca sabendo como vai ser o mês seguinte, uma realidade que afetou muita gente ligada à área do teatro e da música, cujo circuito acabou. João acrescentou que “há pessoas que desde março não chegaram a retomar a atividade”.

Para Marisa Matias, houve “claramente uma falta de resposta a todo o setor da Cultura”, um dos primeiros a parar e onde os apoios para quem teve de deixar de exercer a sua atividade “tardaram muito ou quando chegaram foram claramente insuficientes”. 

Perante esta situação, Marisa Matias identificou duas tarefas que vê como obrigação do Estado: “não pode estar a poupar dinheiro à custa de compromissos que já estavam assumidos” e tem de “garantir apoios para que as pessoas possam sobreviver”. Sem apoios, entende, é muito difícil “pedir às pessoas que confinem, que parem de fazer as suas atividades, que respeitem as novas indicações que vão existindo à medida que o problema se vai agravando. As pessoas precisam de sobreviver e precisam de viver”.

A candidata insistiu que esses apoios já deviam ter sido inscritos no Orçamento do Estado deste ano. Apesar do anunciado reforço, esses apoios “são insuficientes, são tardios e não chegam a todos os profissionais da Cultura, artistas e técnicos”.

A candidata presidencial acusou o executivo de “má preparação” e de ter “subestimado” a segunda e a terceira vaga, responsabilidades que se estendem a todos os órgãos de soberania, Presidente da República incluído. Quando questionada pelos jornalistas sobre a maior falha do Governo, Marisa respondeu que “foi não ter dado as condições às pessoas para que elas pudessem viver, sobreviver e pudessem ter cumprido as exigências que lhes iriam ser feitas”.

Ainda assim, e apesar do “desencontro total entre a exigência que é pedida às pessoas e os apoios que estão a ser dados”, Marisa salientou que “estamos perfeitamente a tempo de corrigir essas falhas e de fazer coincidir o que são exigências com apoios para que as pessoas possam cumprir. Essa é a forma de "começar com mais capacidade a combater esta pandemia e a forma como ela está a alastrar em Portugal”, concluiu a candidata às eleições deste domingo.

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