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Apelos ao cessar-fogo são ignorados no Iémen

A ofensiva militar no Iémen mais que duplicou na última semana. Guerra entre coligação liderada pela Arábia Saudita e rebeldes Houthi dura há três anos e trouxe a fome extrema ao país.
Apelos ao cessar-fogo são ignorados no Iémen
Só nos últimos dias foram mais de cem os ataques aéreos a atingir bairros civis na cidade de Hudaydah, cinco vezes mais que aqueles que tiveram lugar na primeira semana de outubro. Foto de KarimaKahlany/Twitter.

A guerra no Iémen aumentou de intensidade na última semana, ampliando ainda mais a já grave crise humanitária. As Nações Unidas alertam para a possibilidade de esta crise poder abrir caminho a um cenário de fome em grande escala. 

As milícias pró-Governo estão a tentar recuperar o máximo de terreno possível antes de terem início as conversações sobre a paz, num cessar-fogo liderado pela ONU a ter lugar no final do mês de novembro.

O Iémen debate-se há mais de três anos com uma guerra entre uma coligação apoiada pela Arábia Saudita, e que conta com o apoio e armamento dos Estados Unidos da América, e os rebeldes xiitas Houthis. Os ataques aéreos têm ocorrido na capital, Sana, nas províncias montanhosas a norte e na zona portuária de Hudaydah. 

Em declarações ao New York Times, um funcionário humanitário e outros dois trabalhadores que pediram para não ser identificados afirmaram que a coligação liderada pelos Emirados Árabes Unidos tinha mais que duplicado a sua ofensiva militar para retirar aos Houthi o controlo da cidade de Hudaydah.

A população de Hudaydah relata que os combatentes Houthis estão entrincheirados dentro da cidade, em prédios, apartamentos e hospitais. Dezenas de milhares de civis encontram-se fechados nas suas casas enquanto aguardam o fim dos conflitos. Só nos últimos dias foram mais de cem os ataques aéreos a atingir bairros civis, cinco vezes mais que aqueles que tiveram lugar na primeira semana de outubro.

Os impactos desta guerra há muito que se fazem sentir entre a população. Há uma grave escassez de alimentos e estima-se que pelo menos 1,8 milhões de crianças estejam gravemente subnutridas. Entre a população geral do Iemen, serão cerca de 8 milhões a depender de rações de emergência para sobreviver. São as Nações Unidas que alertam para a possibilidade de este número atingir os 14 milhões devido ao ampliar da escalada ofensiva - estima-se que o Iémen tenha quase 28 milhões de habitantes. 

À medida que o conflito ganha destaque na agenda mediática internacional e em que a Arábia Saudita é alvo de críticas devido ao caso Khashoggi, são vários os países que vêm a público apelar ao cessar-fogo. Entre eles estão os Estados Unidos da América, o mesmo país que apoia com armamento um dos lados do conflito.

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