Natural de Moçambique, onde nasceu, em 1959, Tozé morreu esta sexta-feira, 5 de janeiro, em Coimbra, aos 63 anos, vítima de doença do foro respiratório.
Em nota de pesar, a Comissão Coordenadora Distrital de Coimbra do Bloco de Esquerda lembra que o seu compromisso político iniciou-se na luta anticolonial.
Já em Portugal, Tozé foi ativista do PSR, integrando as suas listas em eleições legislativas. Foi fundador do Bloco de Esquerda e responsável pela organização local de Coimbra durante muitos anos. Foi igualmente fundador e ativista do Movimento Cidadãos por Coimbra e membro da sua coordenação.
A estrutura distrital do Bloco assinala que Tozé, “mais que tudo, foi um permanente ‘juntador’ de gente e de forças para todos os combates com as marcas da emancipação e da solidariedade internacionalista, sem nunca buscar a ribalta ou a notoriedade”.
Professor de profissão, foi divulgador de projetos musicais e literários alternativos, organizando eventos como as “Noites Catárticas” ou animando coletivos como o “Por Mão Própria”.
“O Tozé era o rosto da militância. Neste momento em que parte, fica-nos a convicção que ele nunca deixou de partilhar: ‘La lucha sigue!’”, escreve a distrital do Bloco de Coimbra.

Foto de Maria Helena Loureiro.


Fotos de Alexandre de Sousa Carvalho.
Mariana Mortágua enfatiza que Tozé foi um "militante empenhado, solidário e tão próximo das pessoas".
"Em Coimbra, na Escola Pública, no PSR, no Bloco, nos tantos eventos culturais e políticos que organizou, o Tó Zé foi sempre uma força solidária e um camarada acarinhado por todos", afirma a coordenadora nacional do Bloco de Esquerda.
"Apanhou-nos de surpresa e creio que não conseguimos imaginar isto em Coimbra sem ele. Foi a ele que entreguei a ficha de inscrição no Bloco. Ele esteve na origem de muitos encontros, alguns deles para a vida. As noites e os jantares catARTicos, as traduções de textos que ele achava que toda a gente devia ler, os jantares de amigos a música que se andava a fazer. O Tozé era sempre parte estrutural de qualquer coisa que ainda estava por fazer. A memória de tantas coisas belas. E um amigo", escreve Marisa Matias.
O dirigente bloquista José Manuel Pureza lembra que “Tozé era o rosto da militância. De uma entrega total e sem reservas às melhores causas. Sempre a juntar gente e a juntar forças”.
“Neste momento em que parte, dizemos o que ele sempre nos dizia: la lucha sigue!”, lê-se na publicação.
Nas redes sociais, são inúmeras as reações à sua morte por parte de todos aqueles e aquelas que consigo privaram e o acompanharam em diversas lutas.
Também o Cidadãos Por Coimbra reage à sua morte, lembrando o “homem lutador e agregador de pessoas, com destaque para os mais jovens, com quem comunicava naturalmente”.
“A sua participação no Cidadãos Por Coimbra contribuiu muito para a sua afirmação como Movimento. Nas mais diversas iniciativas, o Tó Zé era a presença certa no local e hora combinados, trazendo os materiais necessários e o sorriso que convidava à ação”, refere o movimento.
O Cidadãos Por Coimbra guarda “a sua memória e o seu exemplo, para seguirmos na luta pela cidadania plena”.
O Esquerda.net contou com a preciosa colaboração de Tozé ao longo dos anos, quer no âmbito da rubrica Memórias, quer por via das suas traduções. Ficará, na nossa memória coletiva, o exemplo da sua combatividade inabalável.

Foto de Pedro Almeida.
A partir das 10h de quarta-feira, dia 10 de janeiro, o Tó Zé estará numa sala mortuária da Igreja de Nossa Senhora de Lurdes. As cerimónias fúnebres serão às 14h15, seguindo-se a cremação no complexo funerário municipal, em Taveiro.