Ambientalistas hondurenhos condenados por defender ambiente contra mina

11 de fevereiro 2022 - 18:07

Associações de defesa dos direitos humanos e relatora da ONU dizem que não há provas e que os ambientalistas são presos de consciência. A mina pertence a dois dos mais poderosos empresários do país.

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Ativistas ambientais de Guapinol condenados. Imagem da página de solidariedade para com eles.
Ativistas ambientais de Guapinol condenados. Imagem da página de solidariedade para com eles.

Seis ambientalistas das Honduras foram considerados culpados de crimes contra uma empresa mineira na passada quarta-feira. No próximo dia 23 conhecerão a sentença, mas enfrentam a possibilidade de pena de prisão entre oito a 14 anos. Estão presos a aguardar julgamento há dois anos e meio.

Oito ativistas da comunidade de Guapinol estavam no banco de réus por se terem oposto ao projeto de construção de uma mina gigante a céu aberto no parque nacional “protegido” de Tocoa, no norte do departamento de Colón. José Márquez, Kelvin Romero Martínez, José Abelino Cedillo, Porfirio Sorto Cedillo, Orbín Nahúm Hernández, Ewer Alexander e Cedillo Cruz foram condenados. Outros dois ambientalistas, Arnold Alemán e Jeremías Martínez, foram absolvidos.

A Amnistia Internacional considera-os prisioneiros de consciência e defende que o veredicto é “escandaloso”. Erika Guevara-Rosas, a sua dirigente na América Latina, fala em “detenção arbitrária” e “acusação criminal infundada que deriva apenas do seu trabalho legitimo de defender o direito à água e a um ambiente saudável”.

O mesmo pensa a relatora especial da ONU para os defensores dos direitos humanos, Mary Lawlor. Diz-se “chocada” e considera ser “extremamente sério que, apesar de falta de diligências nas investigações pelo gabinete da procuradoria”, estas pessoas tenham sido condenadas.

A associação norte-americana National Lawyers Guild que integra o grupo de organizações não governamentais que seguiram o caso, denominado Observatório para a Justiça para os Defensores do Rio Guapinol, também crítica a ausência de provas, o enviesamento do sistema judiciário e as “inúmeros irregularidades” do processo.

Edy Tabora, o advogado de defesa, também reclama a inocência dos seus constituintes: “a acusação não apresentou qualquer prova de crime. Este foi um veredicto político que demonstra o poder das elites económicas deste país”. Por seu turno, a acusação alega danos causados contra a empresa e até a detenção ilegal do seu chefe de segurança.

Em 2011, a montanha de Botaderos tinha sido declarada parque nacional no Congresso do país. Mas, passado apenas um ano, esse mesmo órgão decidiu alterar o zonamento deste parque de forma a que fosse construída uma mina por dois dos mais ricos patrões do país, Lenir Pérez e Ana Facussé, filha do falecido magnata do óleo de palma Miguel Facussé, através da empresa Inversiones los Pinares/Ecotek mining. Desde então as comunidades locais opuseram-se, nos tribunais e nas ruas. Um acampamento de protesto foi construído e, a 7 de setembro de 2018, os seguranças da empresa mineira atacaram-no despejando-o à força e causando um ferido grave.

Em fevereiro de 2020, um painel de peritos independentes de universidades do Canadá, EUA e Reino Unido, convocado pela Aliança da América Central contra a Mineração, ACAFREMIN, considerou que todo o processo de concessão da mina estava pejado de irregularidades e que o governo tinha sido “responsável por sistemática violação dos direitos humanos da comunidade de Tocoa”.