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Ambientalista e filho atacados violentamente em Torres Novas

Ativista ambientalista atacado pelo dono e pelo filho do dono da fábrica Fabrióleo enquanto filmava uma descarga de poluentes. O carro, estacionado, onde se encontrava o filho de 10 anos do ativista, foi violentamente abalroado.
Carro de Arlindo Marques depois do ataque.

Esta segunda feira de manhã, na estrada que liga Torres Novas a Meia Via, no Distrito de Santarém, Arlindo Marques e o filho de 10 anos foram vítimas de um ataque violento. Arlindo Marques é activista ambientalista e presidente demissionário da SOS Tejo, conhecido por denunciar a poluição no rio Tejo e seus afluentes.

"Considero isto uma retaliação grave devido às denúncias que faço dos casos de poluição, foi um ato de puro terrorismo", afirmou o ambientalista ao esquerda.net. Arlindo Marques estava a documentar mais uma grande descarga na Ribeira da Boa Água, quando o dono da empresa Fabrióleo, que vinha num automóvel, o chamou, saiu do carro e agrediu a soco no peito, gritando que não tinha nada que ali estar, nem que publicar os vídeos. Arlindo Marques conseguiu acalmar os ânimos e estavam os dois já a conversar mais calmamente quando  passou uma carrinha Volvo, que parou sete a oito metros mais de onde estavam.

A carrinha faz marcha atrás em velocidade, até colidir com a traseira, na frente do carro do Arlindo, destruindo-a e arrastando-o para a beira da ribeira. No interior do carro, estava o filho de Arlindo, de 10 dez anos. Nenhum dos envolvidos fica ferido com gravidade e perceberam então que o condutor do Volvo era o filho do dono da empresa da Fabrióleo, que vinha acompanhado de dois trabalhadores da empresa. Arlindo Marques não conhecia anteriormente nenhuma das pessas presentes e o ataque não foi por razões pessoais, mas uma retaliação contra os vídeos que tem feito.

A Ribeira da Boa Água é um afluente do rio Almonda muito sacrificado pelas descargas da empresa Fabrióleo, situada no Carreiro da Areia. A Ribeira corre a cerca de 2 quilómetros de Torres Novas, com a poluição visível através da cor da água e do mau cheiro que dela exala. No final de 2015, a empresa Fabrióleo pediu à Câmara Municipal de Torres Novas o reconhecimento do interesse municipal na regularização do estabelecimento. Tendo em conta o longo historial de descargas poluentes e a desobediência a embargos decretados pela APA e pela Câmara de Torres Novas da Fabrióleo, a Câmara e a Assembleia Municipal de Torres Novas decidiram, por unanimidade, rejeitar o reconhecimento o pedido.

As descargas da empresa são conhecidas desde 2013 quando o Grupo Parlamentar do Bloco exigiu que o governo em funções que atuasse, e este reconheceu a necessidade de fiscalização permanente, para verificar se as licenças estavam a ser cumpridas. Mas pouco ou nada foi feito para alterar a situação. 

O acontecimento, que pôs em perigo a vida de uma criança, além da do próprio ativista, foi imediatamente reportado à polícia e irá avançar para tribunal. Arlindo Marques queixa-se da impunidade com que as empresas responsáveis pelas descargas poluentes continuam a operar. Em baixo estão dois vídeos feitos por Arlindo Marques, sobre o acidente e uma pergunta dos deputados do Bloco Carlos Matias e Jorge Costa, sobre a poluição na ribeira da Boa Água, devido às descargas da Fabrióleo.

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Termos relacionados Poluição no Tejo, Ambiente
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