AM de Sintra aprova recolha e tratamento de resíduos de tipo hospitalar produzidos em casa

11 de dezembro 2022 - 22:19

Assembleia Municipal de Sintra aprovou por unanimidade proposta do Bloco para que a Câmara adote medidas para recolha e tratamento de agulhas e outros resíduos perigosos resultantes de tratamentos realizados em casa.

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Foto publicada em sitesustentavel.com.br

Diariamente milhares de pessoas com doença crónica fazem tratamentos de forma autónoma no seu domicílio, produzindo resíduos que, pelas suas características, são enquadráveis na categoria de lixo hospitalar, para os quais ainda não existe um sistema de gestão a nível nacional.

Por proposta do Bloco, a assembleia municipal de Sintra aprovou uma recomendação para que a Câmara adote medidas para a criação de um sistema de recolha e eliminação de resíduos de tipo hospitalar produzidos no domicílio.

Em causa estão, nomeadamente, as lancetas e tiras usadas pelos diabéticos para avaliação da glicémia capilar, alguns consumíveis das bombas de insulina que devem ser trocados com regularidade ou seringas e agulhas usadas para administrar vários tipos de medicamentos injetáveis.

O Bloco de Sintra alerta que a tendência crescente para o autocuidado em saúde, que vai ao encontro das boas práticas internacionais em saúde, vai certamente levar a um aumento da quantidade de resíduos deste tipo, aos quais será necessário dar um encaminhamento adequado.

Acresce que, face à inexistência de circuitos de recolha próprios para estes resíduos e à indisponibilidade das farmácias e dos centros de saúde para os receberem e encaminharem, a eliminação destes resíduos é feita através do circuito normal dos resíduos urbanos.

Esta é uma solução que põe em causa a saúde pública e o meio ambiente, pois, além promover o aumento da circulação de fármacos e produtos tóxicos nos ecossistemas, contribuindo para o aumento das biorresistências, aumenta o risco de acidentes e contaminação dos trabalhadores ligados à recolha e tratamento dos resíduos urbanos indiferenciados.

É neste contexto, e conscientes desses riscos, que várias autarquias têm vindo a estabelecer parcerias com autoridades de saúde, associações de doentes e de farmácias e com outras entidades para desenvolver soluções locais para recolha destes resíduos, nomeadamente através da distribuição aos munícipes que o requeiram de contentores adequados e estabelecendo regras para a sua utilização, recolha, armazenamento e eliminação.

“Um problema de saúde pública”

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) revela que a que maioria dos diabéticos deposita agulhas e lancetas no lixo comum indiferenciado, e que esta prática “representa um importante problema de saúde pública”.

No trabalho de investigação “Material médico cortante em Portugal: um estudo transversal das práticas de eliminação entre a população diabética”, os investigadores alertam que deitar este tipo de material no lixo doméstico é uma prática “incorreta e perigosa”.

“A gestão dos subprodutos do tratamento da diabetes deveria ser uma preocupação urgente e merecer a atenção da comunidade científica e das autoridades sanitárias”, defende a equipa de investigação.