Estima-se que cerca de 10 milhões de europeus sofram de demência, na sua maioria Alzheimer, e um novo caso é diagnosticado a cada 24 segundos. O número de doentes duplica a cada 20 anos e, acima dos 65 anos, a taxa de duplicação é a cada quatro anos, constituindo um enorme desafio para uma Europa em envelhecimento.
Na apresentação da iniciativa, Marisa Matias pediu medidas urgentes face à gravidade do problema. “Durante os seis meses em que trabalhamos neste relatório, na Europa mais de 700 mil pessoas desenvolveram Alzheimer ou outra demência. Este número por si só mostra o quanto importante e urgente é intervir neste domínio”.
A eurodeputada do Bloco de Esquerda defendeu intransigentemente a igualdade dos pacientes no acesso ao diagnóstico e aos tratamentos e apelou à cooperação solidária entre os vários países da UE. “Precisamos de combater as desigualdades entre e dentro dos Estados-Membros. Não podemos admitir que haja doentes de primeira e de segunda e têm que ser todos iguais independentemente do nível de rendimento, do sexo, da idade, do local de residência, ou outro qualquer critério. Por isso é muito importante ter a maior cobertura possível dos serviços de saúde”.
Marisa Matias deu primazia à dignidade dos doentes e rejeitou que a crise seja pretexto para não abordar o problema. “Os custos sociais e económicos de não resolver o problema são muito superiores”, defendendo um maior investimento nas pessoas, na prevenção, no apoio às famílias e aos cuidadores, assim como mais investigação, mais cooperação e mais dados epidemiológicos para se conhecer melhor o problema. A eurodeputada lembrou ainda o papel das mulheres, dado serem as mais susceptíveis a desenvolver estas doenças e também por serem as mais numerosas no apoio aos doentes.
Com o amplo apoio que a iniciativa colheu no Parlamento Europeu e depois de ontem o Comissário Europeu para a Saúde, John Dalli, ter afirmado que vê de forma muito positiva todas as recomendações do relatório e que faria tudo o que estiver ao seu alcance para as pôr em prática, Marisa Matias espera que as medidas sejam efectivamente implementadas o mais brevemente possível.
Relatório defende a criação de planos nacionais dedicados à doença
Com o voto de hoje, o Parlamento Europeu insta a UE a tornar a doença de Alzheimer e outra formas de demência uma das suas prioridades na área da saúde. Solicita ainda veementemente que os Estados-Membros desenvolvam planos nacionais dedicados a estas doenças, numa altura em que apenas sete países os têm. Estes planos estratégicos devem responder às consequências sociais e de saúde, à previsão dos serviços necessários, assim como ao apoio aos doentes, às suas famílias e cuidadores.
O relatório propõe ainda:
- Reforçar a cooperação entre os Estados-Membros no que se refere a investigação, cuidados e prevenção da doença de Alzheimer, designadamente através de estratégias nacionais específicas;
- Criar o Ano Europeu da Saúde Mental, como complemento do Dia Mundial da Doença de Alzheimer, que se celebra no dia 21 de Setembro;
- Consciencializar a opinião pública na União Europeia sobre as diversas formas de demência, facilitar o diagnóstico precoce aquando dos primeiros sintomas de demência, implementar medidas que promovam a investigação e melhorar o acesso ao diagnóstico e aos medicamentos;
- Criar centros especializados e garantir o fornecimento de equipamento médico satisfatório a nível nacional, desenvolvendo simultaneamente as competências dos profissionais de saúde;
- Desenvolver acções destinadas a melhorar o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes e das suas famílias.