Destacando que “há certos momentos” em que somos chamados “a tomar decisões críticas”, Alexis Tsipras explica que refletiu nos últimos três dias para não agir no “calor do momento”.
O até aqui líder do Syriza reforça aquilo que já tinha defendido durante a noite eleitoral do passado domingo: que o partido “completou agora um grande ciclo histórico, que devemos valorizar com orgulho” e que é necessário abrir um novo ciclo, que será “difícil, sem precedentes, mas ainda mais esperançoso e criativo”.
Alexis Tsipras refere também a “necessidade de decisões difíceis e corajosas" em relação ao partido, no sentido de “reencontrar” os seus valores: “da coletividade, abnegação e responsabilidade social”, de “renovar com ousadia” a direção do partido “de cima a baixo”, mostrando “confiança nos jovens”, e “de acabar com atitudes” que custaram caro ao partido.
Tsipras acrescenta a necessidade de “inventar o novo Syriza, que saiba, com modéstia e olhos abertos, ler os novos contrastes e as novas correntes da sociedade, os novos desafios dos tempos, e corresponder às expectativas de quem quer e escolheu representar”.
O ex-primeiro-ministro grego fala sobre as “circunstâncias incrivelmente difíceis” que enfrentou, “com a sociedade em ruínas e a economia falida”, as hostilidades e desconfiança da Europa face à Grécia e a “aliança de credores” que consideravam o país “digno de punição”. Recordando as “pressões e chantagens insuportáveis” internas e externas, afirma-se orgulhoso” pelo que foi conquistado” e pelo “histórico Acordo Prespa”. Ainda assim, assume que essa “difícil jornada também teve compromissos e decisões difíceis” que provou feridas e desgastou o partido.
Perante o “resultado eleitoral negativo”, Tsipras afirma que este “pode e deve ser” o início do novo ciclo, para “responder ao papel da oposição dirigente” e “mudar drasticamente, se o partido quiser recuperar o governo com credibilidade”.
“Temos o dever de cumprir a nossa responsabilidade com o mandato popular que temos, de nos reorganizar imediatamente e sem demora. Para que não nos percamos um só dia, tanto no confronto com o governo da Nova Democracia, como no confronto com as nossas próprias fragilidades e problemas”, escreve.
Tsipras alerta que a “prioridade imediata” é encetar “um processo de profunda renovação e refundação, que abranja todos os membros do partido, mas também os amigos e grupos sociais” que o Syriza quer representar. No seu entender, está em causa a qualidade da democracia grega, “a resistência às políticas da Nova Democracia, a frente contra a extrema-direita e o neofascismo que encontrou lugar no Parlamento grego”.
Afirmando ter “confiança nas pessoas” do seu partido, “nas forças inesgotáveis da sociedade e da esquerda”, propôs a eleição de uma nova direção, garantindo que não será candidato.
Alexis Tsipras também assegura aos milhares de membros, amigos e eleitores do Syriza que continuará ao seu lado nos anos vindouros, que não se adivinham fáceis.
“Vivemos num período de sucessivas crises, num ambiente económico instável, num período de tensões e desafios geopolíticos. A fé nos nossos valores, o nosso compromisso com a democracia e a liberdade, que é sinónimo da Grécia, o amor ao ser humano, a solidariedade, a unidade, pensando no ‘nós’ em vez do ‘eu’, é o caminho para superar todas as dificuldades”, escreve.
E acrescenta que “a força progressista do país, como sempre na história, será um guia neste esforço coletivo nacional”. Tsipras acredita que um novo Syriza “pode voltar a ser a esperança de um amanhã melhor”.