O Banco Central Europeu e uma grande parte dos países membros da zona do euro estão a pressionar Portugal para que recorra a ajuda financeira, afirma esta sexta-feira o Financial Times Deutschland, citando fonte do Ministério das Finanças da Alemanha.
Segundo o jornal, os bancos de Portugal estão em melhores condições financeiras do que os irlandeses, mas também dependem das linhas de liquidez do BCE para operações diárias. "Se Portugal aceitasse ajuda, seria bom para a Espanha porque o país está pesadamente exposto a Portugal", diz a fonte.
Portugal seria assim “o senhor que se segue” na crise do euro, e serviria de uma espécie de corta-fogo para proteger a Espanha, já que as duas economias ibéricas estão fortemente interligadas.
Como seria de esperar, a notícia foi apressadamente desmentida. O Ministério das Finanças alemão negou que esteja a pressionar Portugal e afirmou não ver necessidade de o país recorrer ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Também o governo português desmentiu.
Confirmação indirecta
Mas numa entrevista ao Jornal de Notícias, o ministro Teixeira dos Santos forneceu uma confirmação indirecta da notícia, ao afirmar que "algumas posições alemãs não têm de facto ajudado" no esforço de acalmia dos mercados.
Referindo não querer citar qualquer país em particular, "muito menos a Alemanha", Teixeira dos Santos disse também ao JN que há entre os parceiros comunitários de Portugal "quem ache que a melhor forma de preservar a estabilidade do euro é empurrar e forçar os países que neste momento têm estado mais debaixo dos holofotes para essa ajuda [do Fundo Europeu de Estabilização]".
"A situação portuguesa não é tão séria como a irlandesa, quer pela magnitude, quer até pelos problemas do sistema financeiro com que a Irlanda se defronta. Mas os mercados parecem não querer saber disso", desabafou Teixeira dos Santos.
O Financial Times refere ainda que o presidente do banco central alemão (Bundesbank), Axel Weber, admitiu a hipótese de aumentar para o dobro as verbas do fundo de estabilização, que actualmente totalizam 400 mil milhões de euros, no que se refere à União Europeia.
A medida poderia ser necessária, caso a Espanha tivesse de recorrer ao fundo. Especialistas calculam que o país vizinho teria necessidade de cerca de 145 mil milhões de euros.