Nas eleições regionais deste domingo, na Baviera e no Hesse, a direita ganhou e a extrema-direita cresceu. Todos os partidos do arco governamental, SDP, Verdes e FDP, desceram relativamente às eleições anteriores. Sendo que este último, o Partido Democrático Liberal, terá tido a noite eleitoral mais longa, à espera de alcançar o patamar de 5% que permite a entrada no Parlamento Regional. E se no Hesse alcançou precisamente a marca de 5,0%, elegendo por isso oito deputados, na Baviera ficou-se pelos 3%.
Más notícias também para a esquerda. O Die Linke perdeu os nove lugares que tinha no Parlamento do Hesse, tendo descido a sua votação para metade (de 6,3% para 3,1%), e continuou sem representação na Baviera, onde também apenas obteve cerca de metade dos votos de 2018 (descendo de 3,2% para 1,5%). A porta-voz da formação política, Janine Wissler, classificava o sucedido na televisão pública como uma “noite amarga”, completando: “É tão amargo que não possamos mais continuar o nosso trabalho” no Hesse, o seu estado natal.
Contraste nítido com a atmosfera na AfD. A dirigente do partido de extrema-direita, Alice Weidel, tem a celebrar uma subida generalizada e um segundo e terceiro lugar na lista dos partidos mais votados e à ZDF diz que “os cidadãos de Hesse e da Baviera deixaram claro que estão fartos da privação de direitos, da desapropriação e de uma política de migração que não pode ser justificada por nada.”
Em termos da formação dos governos regionais não haverá provavelmente grandes surpresas nos próximos dias, uma vez que, no Hesse a CDU reforçou a sua maioria (com 52 deputados em 133 e mais 7,6% dos votos do que nas anteriores eleições) e que, na Baviera, a CSU, o seu partido irmão, desceu ligeiramente a votação de 2018 mas poderá continuar a governar apoiada mais uma vez no grupo regional Associação dos Eleitores Livres da Baviera, de direita, o segundo grupo mais votado.
Estes resultados suscitam ainda, obviamente, leituras nacionais, estando a ser apresentados como um “cartão amarelo” à “coligação semáforo” que está no governo. Dentro dela, fica fragilizado o papel da ministra do Interior, Nancy Faeser, que era a candidata do SPD a Hesse, tendo perdido 4,7% dos votos e ficando ainda mais sob a mira da direita por causa da gestão da questão das migrações.
Os resultados abaixo do esperado da direita na Baviera também podem comprometer as ambições do seu líder, Markus Soeder, ao lugar de candidato da direita a chanceler nas próximas legislativas.
As águas também se agitaram no FDP. O dirigente do partido na Turíngia, Thomas Kemmerich, disse, citado pelo The Pioneer, que “se necessário o FDP precisa de estar pronto para sair” do governo. O seu estado terá eleições no próximo ano, daí a manifestação de preocupação pela influência da participação no executivo nas eleições regionais.