Agência de rating ataca refinanciamento voluntário da dívida grega

04 de julho 2011 - 17:57

Standard & Poor's adverte que considera o plano de refinanciamento da dívida grega pelos bancos franceses como um equivalente à suspensão de pagamentos.

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Agência não admite qualquer reestruturação da dívida.

A agência de notação financeira Standard & Poor's advertiu que vai considerar o plano de refinanciamento da dívida grega avançado pelos bancos franceses – que se propõem prolongar os prazos de reembolso de 70% das obrigações por eles detidas – como sinónimo de incumprimento da dívida.

A agência de rating afirma que a proposta do presidente Sarkozy e dos bancos franceses, ou outras semelhantes, são “reestruturações de dívida”, razão pela qual considera o processo uma entrada em incumprimento, traduzido na incapacidade de o país pagar a dívida contraída. Para a Standard & Poor's, os projectos concebidos pelos credores para contribuir para o novo plano de resgate da Grécia "conduziriam provavelmente a uma interrupção de pagamentos segundo os nossos critérios", diz um comunicado da agência.

Além disso, a agência manifesta dúvidas sobre a capacidade da Grécia de cumprir os requisitos do FMI e da UE, e assinala esta incapacidade como um dos maiores riscos que afectam a qualidade do seu crédito.

Recorde-se que a Procuradoria Geral da República de Portugal decidiu abrir uma investigação judicial às três principais agências de rating, Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch. O inquérito foi instaurado no dia 3 de Maio e teve como base a queixa apresentada por quatro docentes universitários, José Reis e José Manuel Pureza, da Universidade de Coimbra, e Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

Os autores da queixa apontaram para a existência de graves prejuízos provocados ao Estado português pela prática daquelas agências, que acusam de manipular os mercados.

Também os supervisores da Securities and Exchange Commission dos EUA – SEC (Comissão do Mercado de Valores dos EUA) estão a avaliar as opções para atacar com êxito estas agências, em sede de tribunal, isto depois de realizada uma investigação sobre o papel que aquelas desempenharam no processo de venda de dívida atrelada a hipotecas subprime.