"Todos os trabalhadores afetos ao serviço de comboios referentes ao turno que começou às 23:00 e terminou às 08:00 estão com uma adesão de 100%. Há, sim, alguns trabalhadores que não são associados do sindicato que estão a fazer alguns comboios de longo curso"", informou o presidente do Sindicato Ferroviário da Revisão e Comercial Itinerante (SFRCI), em declarações à agência Lusa.
O pré-aviso de greve do SFRCI, que representa os revisores e os trabalhadores de bilheteira da CP, prevê uma paralisação nos dias 2 e 6 de abril, contudo, existe ainda um segundo pré aviso de greve apresentado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF) para os dias de feriado - sexta-feira e domingo - e ao trabalho extraordinário.
“A direção do SFRCI decidiu convocar todos os seus associados a aderir aos dois pré-avisos de greve existente na empresa (SFRCI e SNTSF) para o período da Páscoa, isto é, efetuar greve nos dias 2, 3, 5 e 6 de abril de forma a demonstrar o nosso descontentamento relativo ao seguinte caderno reivindicativo”, refere um comunicado interno do sindicato, citado pelo jornal Público.
Assim sendo, os atrasos e supressões prolongar-se-ão até terça-feira, dia 7 de abril, pela manhã.
A CP alerta que as perturbações na circulação de comboios vão ser agravadas pela recusa da fixação de serviços mínimos pelo Tribunal Arbitral, nomeado pelo Conselho Económico e Social, e que a paralisação possa afetar cerca de 1,1 milhões de pessoas e mais de cinco mil comboios.
No seu site, a empresa divulga a lista de comboios de longo curso - Alfa Pendular e Intercidades - que prevê realizar esta quinta e sexta-feira. Não se prevê a circulação de nenhum comboio suburbano em Lisboa ou no Porto ou regional.
No próximo dia 10 de abril, além da CP, também a Metro de Lisboa e a Carris vão estar em greve, num protesto contra a subconcessão das transportadoras públicas a privados.
CP não cumpre decisão dos tribunais
Conforme explicou Luís Bravo, "a greve está a ter uma adesão muito forte, numa clara demonstração do grande descontentamento que os trabalhadores têm face à decisão da empresa após nove meses de negociação de não ter culminado com um acordo que visasse devolver aos trabalhadores a divida que estava confirmada pelos tribunais".
A CP foi condenada, em várias instâncias, a repor os complementos que não foram devidamente pagos aos trabalhadores no subsídio de férias desde 1996 e no subsídio de Natal entre 1996 e 2003. A dívida aos revisores e trabalhadores das bilheteiras ascenderá a cerca de dez milhões de euros.
Não sendo possível recurso, a CP e os representantes dos trabalhadores iniciaram negociações para que a empresa garanta o pagamento da dívida “de forma gradual". Em reunião a 18 de março, os representantes do SFRCI foram informados de que a proposta de acordo ainda não tinha sido enviada à tutela, o Ministério da Economia.
"Nesse mesmo dia, decidimos quebrar a paz social, no período da Páscoa, com dois dias de greve, porque nestes nove meses de negociação, a administração criou a legítima expectativa de que os trabalhadores iriam ser ressarcidos e pensávamos que a empresa estava a proceder de boa-fé", adiantou à Lusa Luís Bravo, garantindo que "o sindicato tentou tudo para evitar esta greve".