O Governo emitiu uma “declaração de imprescindível utilidade pública” para a Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC) que a Sonae Arauco pretende construir no concelho de Oliveira do Hospital e que prevê o abate de 508 sobreiros. Para o Bloco de Esquerda, a decisão de atribuir este estatuto a um projeto de painéis fotovoltaicos é um erro ambiental e político profundo que subverte a proteção de uma espécie símbolo nacional.
Presidenciais
Catarina no Fundão: “Produção fotovoltaica tem de ser descentralizada”
A empresa que se apresenta como um dos líderes mundiais do mercado de painéis derivados de madeira diz que se compromete a plantar 2.648 sobreiros num terreno adjacente à fábrica em Oliveira do Hospital. Para o Bloco de Esquerda, “o Estado não pode abdicar da proteção de áreas classificadas em troca de contrapartidas financeiras ou replantações que não substituem o valor ecológico de uma floresta adulta e estabelecida”.
“Numa zona de alto risco de incêndio, a remoção destas barreiras naturais e a eliminação de caminhos florestais públicos essenciais para o combate a fogos representam uma ameaça direta à segurança das populações de Oliveira do Hospital”, aponta o partido nas perguntas dirigidas pelo deputado Fabian Figueiredo á ministra do Ambiente e Energia.
O argumento da “inexistência de alternativas” para instalar o referido projeto fotovoltaico também não colhe junto do partido, que refere a presença de terrenos viáveis num raio de cinco quilómetros que não exigiriam o abate de povoamentos protegidos.
Para o Bloco de Esquerda, este é um caso claro de "greenwashing", onde a transição energética é utilizada como pretexto para sacrificar património natural e biodiversidade em prol de interesses privados de um grande grupo industrial