No artigo intitulado “Portugal precisa de mais dinheiro para se manter à tona”, Pauly começa por referir que para Pedro Passos Coelho “nada é sagrado”, “nem mesmo o Carnaval”.
O autor do texto publicado esta terça-feira no Der Siegel relembra as declarações proferidas pelo primeiro-ministro português, que afirmou que “os portugueses devem parar de choramingar por causa das medidas de austeridade” e que é tempo de mudar “padrões de comportamento preguiçosos e por vezes egocêntricos”.
Segundo Christoph Pauly, “a prontidão para fazer sacrifícios” do executivo PSD/CDS-PP “é vista com bons olhos pela troika”, que “nem sequer pediu medidas tão drásticas”.
Ainda que o governo português se empenhe em ser o “menino bonito da troika”, Portugal poderá ser, segundo alerta Pauly, “a próxima peça de dominó destinada a cair no decorrer da crise do euro”.
Na realidade, “os mercados financeiros têm uma visão muito mais crítica de Portugal do que a troika”, adianta o autor, lembrando que os mesmos “supõem que existe uma probabilidade de 71 por cento de o país cair na bancarrota nos próximos cinco anos”.
“O momento da verdade não vai demorar muito a chegar, alerta Christoph Pauly, reforçando que, segundo o Credit Suisse, maior banco suíço, "os planos de emergência, para o caso de Portugal não ser capaz de voltar ao mercado de capitais, devem ser especificados em breve e de forma credível".
“Portugal encontra-se numa profunda recessão, sublinha Pauly. “Em resultado das medidas drásticas de austeridade do governo, a maioria das pessoas tem muito menos dinheiro à sua disposição do que antes. Com a procura doméstica em colapso, o desemprego aumentou para níveis inéditos", realça o autor.
Christoph Pauly assinala ainda no seu artigo o movimento de contestação que vai crescendo em Portugal, fazendo uma alusão ao protesto de 11 de fevereiro, durante o qual os manifestantes protestavam contra a desigualdade e o empobrecimento e elegiam a chanceler alemã Angela Merkel como um dos temas favoritos da concentração.