Memória

95 anos da Revolta da Madeira: memória de luta contra os fascismos de ontem e de hoje

05 de abril 2026 - 16:02

A Comissão Coordenadora Regional do Bloco de Esquerda Madeira assinalou este sábado, 4 de abril, os 95 anos da Revolta da Madeira, evocando o movimento de 1931 como símbolo da resistência e exemplo de coragem popular.

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Movimento de Tropas na Revolta da Madeira em carrinha da Câmara Municipal do Funchal.  Meados ou finais de Abril de 1931.
Movimento de Tropas na Revolta da Madeira em carrinha da Câmara Municipal do Funchal. Meados ou finais de Abril de 1931. Fotografia Perestrellos Photographos, Photographia-Museu Vicentes/Wikimedia Commons

A Revolta da Madeira iniciou-se a 4 de abril de 1931, envolvendo militares e civis que se opuseram ao regime saído do golpe de 28 de maio de 1926. O movimento, rapidamente conhecido como a Revolta das Ilhas, estendeu-se também aos Açores e contou com simpatias em várias regiões do continente. Os revoltosos reclamavam o regresso à legalidade constitucional e às liberdades políticas que haviam sido suprimidas pela Ditadura Nacional, antecessora do Estado Novo. Apesar de ter sido derrotado em poucas semanas, o levantamento ficou na história como a primeira grande tentativa organizada de derrubar o regime autoritário.

No comunicado divulgado esta manhã, o Bloco de Esquerda/Madeira sublinha que a memória da Revolta deve continuar a inspirar a ação política e cívica. “A liberdade nunca é um dado adquirido. É preciso defendê-la diariamente contra todas as formas de intolerância e opressão”, refere o texto, que faz um paralelismo entre os combates do passado e os desafios democráticos do presente. O partido considera preocupante “o crescimento, dentro e fora do país, de movimentos extremistas que instrumentalizam o descontentamento popular para disseminar o ódio e atacar direitos fundamentais”.

O Bloco de Esquerda defende ainda que a Revolta da Madeira merece maior atenção no espaço público e nas escolas, como forma de fortalecer a cultura democrática. “É um episódio da história da Madeira e do país que exemplifica a força de quem recusou calar-se perante a injustiça e a tirania”, afirma a Comissão Regional, juntando-se às homenagens prestadas aos revoltosos que, em 1931, desafiaram o poder central em nome de uma sociedade mais livre e justa.

Para o partido, assinalar os 95 anos da Revolta significa também reafirmar compromissos com a democracia, a paz e a solidariedade. “A Revolta da Madeira permanece um legado de resistência e esperança”, conclui o comunicado, destacando que “a luta contra os fascismos de ontem e de hoje é parte essencial da identidade madeirense e do projeto democrático português”.


Artigo publicado no site do Bloco de Esquerda/Madeira