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Secreta alemã espia Die Linke e falha vigilância aos neonazis

No meio das críticas pela inoperância dos serviços secretos na deteção da célula terrorista neonazi que assassinou 10 pessoas nos últimos anos, a Alemanha descobre que o Estado investiu quase tantos meios a espiar os dirigentes do Die Linke, entre os quais a vice-presidente do parlamento e um membro da comissão que vigia os serviços secretos.
Petra Pau, vice-presidente do Bundestag, é protagonista de um dossier de 600 páginas dos serviços secretos alemães, mas não pode aceder à informação recolhida. Foto linksfraktion/Flickr

A notícia provocou escândalo nos meios políticos alemães, após ter sido publicada pela revista Der Spiegel: 27 dos 73 deputados do partido Die Linke estão a ser vigiados pela secreta, bem como 11 parlamentares regionais.  Segundo um documento do Ministério do Interior divulgado este mês, há sete agentes dedicados a tempo inteiro a vigiar o partido da esquerda alemã, com um custo anual de 390 mil euros. Ao mesmo tempo, a vigilância ao partido neonazi NPD é feita por dez agentes e custa 590 mil euros.

A semelhança do investimento contrasta com a diferença do risco para a segurança alemã, uma vez que a ilegalização do NPD volta a estar na ordem do dia após as ligações descobertas com os membros da célula terrorista neonazi que assassinou comerciantes turcos nos últimos anos mesmo debaixo do nariz da secreta. Os próprios serviços secretos admitiram em novembro passado que tinham um agente no local de um destes crimes em 2006 e o jornal Guardian diz que o mesmo homem foi visto na cena de outros três assassinatos neonazis.

A notícia não surpreende os dirigentes do Die Linke, que já sabiam que os serviços secretos (BfV) têm um dossier de 600 páginas com detalhes da vida de Petra Pau, dirigente do partido e vice-presidente do Bundestag. Ela tem tentado aceder a esse dossier, mas os pedidos têm sido recusados e na única vez que a deixaram ver uma parte, eram muitas as páginas em branco. Outro caso que levanta suspeitas é o da vigilância ao deputado Steffen Bockhahn, que pertence à comissão parlamentar que controla o orçamento da polícia secreta, uma vez que ela só pode ser justificada por "circunstâncias muito extraordinárias".

Os serviços secretos dizem que os dirigentes do Die Linke não estão "sob vigilância", mas apenas são "observados" através de recortes de imprensa e da leitura dos seus discursos. Para Gregor Gysi, o líder parlamentar do partido, "os deputados estão lá para controlarem os serviços de informações internas". É vergonhoso que eles pensem que podem vigiar um terço do nosso grupo parlamentar".

"Agora ficou finalmente provado que os nossos serviços secretos estão doidos", rematou Gysi em declarações ao Mitteldeutsche Zeitung. O Die Linke conta já com o apoio dos Verdes, que criticaram a ação dos serviços secretos. "Estas ações parecem desproporcionadas quando comparadas com as despesas com as ações contra o NPD", recordou o deputado Volker Beck. Também os sociais democratas do SPD e os liberais do FPD - que faz parte do governo de Angela Merkel - juntaram-se ao Die Linke nas críticas à vigilância das secretas.  

 

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