90% das pessoas têm preconceito contra as mulheres diz estudo da ONU

05 de março 2020 - 20:11

Um estudo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento divulgado esta quinta-feira mostrou que 90% dos inquiridos mantêm alguma forma de preconceito contra as mulheres, metade pensa que políticos masculinos são melhores e mais de um quarto que é justificado um homem bater na esposa.

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Marcha feminista em Oslo. Janeiro de 2017.
Marcha feminista em Oslo. Janeiro de 2017. Foto de Lynn D. Rosentrater/Flickr.

Foi lançado esta quinta-feira o Índex de Normas Sociais de Género, um dispositivo criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Pretende-se com ele medir como as crenças sociais obstruem a igualdade de género em áreas como a política, o trabalho e a educação.

As conclusões do inquérito realizado em 75 países, que cobrem mais de 80% por cento da população mundial, são preocupantes: 90,6% dos homens e 86,1% das mulheres inquiridas demonstraram preconceitos contra as mulheres, o que dá uma média 88,35%.

Metade da população pensa que os elementos do sexo masculino serão melhores políticos do que as mulheres e mais de 40% pensa que os homens são melhores a liderar empresas. Dizem ainda que, em situações em que falte o emprego, os homens devem ter acesso prioritário a ele em detrimento das mulheres. 28% responderam que é justificado que um homem bata na mulher.

Ao contrário da perceção de que o machismo está a diminuir globalmente, o estudo mostra que a percentagem de pessoas com visão negativa sobre as mulheres aumentou nos últimos tempos. Entre as mulheres subiu de 57% para 60%, entre os homens de 70% para 71%. Entre os países mais ricos, o número de homens com visão negativa sobre o papel das mulheres na sociedade subiu na Austrália, no Chile, nos Estados Unidos e na Holanda, por exemplo.

O estudo sintetiza ainda algumas diferenças de género como, por exemplo, que apesar das taxas de participação eleitoral serem similares, apenas 24% dos lugares de deputado no mundo são ocupados por mulheres e apenas há dez mulheres chefes de governo em 193 países. No mundo laboral, a discrepância de remuneração mantém-se e os lugares de topo das empresas continuam a ser um clube masculino: menos de 6% dos executivos das 500 maiores empresas são mulheres.

Com base neste estudo, o Pnud apela aos governos e instituições para que implementem “uma nova geração de políticas de forma a alterar estas crenças e práticas discriminatórias através da educação, consciencializando e mudando incentivos. Aconselha-se, por exemplo, que se usem os impostos para incentivar a distribuição de cuidados infantis ou para encorajar as mulheres a entrar sem setores dominados pelos homens.

Por sua vez, Raquel Lagunas, Diretora da Equipa para as Questões de Género do Pnud pensa que “as manifestações pelos direitos das mulheres a que estamos a assistir em todo o mundo presentemente, mobilizadas pelas jovens feministas, estão a assinalar que são precisas novas alternativas para um mundo diferente.” E acrescenta: “devemos agir agora para quebrar a barreira do enviesamento e preconceito se queremos ver progressos à velocidade e escalas necessárias para alcançar a igualdade de género e a visão estabelecidas na Declaração de Beijing de há mais de duas décasdas e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.”

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