Durante uma cerimónia de tomada de posse da nova mediadora do crédito na terça-feira, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, defendeu que é decisivo o aumento da poupança. “Durante anos acumulámos dívidas. Neste sentido é decisivo o aumento da poupança”, disse o ministro, constatando que a taxa de poupança tem vindo a reduzir-se em Portugal e que “é baixa quando comparada com a de outros países da Zona Euro”.
Gaspar pôs a culpa na falta de literacia financeira dos portugueses, defendendo que só com cidadãos "bem preparados financeiramente" se forma "uma sociedade mais capaz". Além disso, "os incentivos à poupança têm sido, até agora, insuficientes", queixou-se.
Passos Coelho esqueceu-se do Programa Nacional de Poupança
Justamente, os incentivos à poupança foram uma promessa do primeiro-ministro Passos Coelho, apresentada no próprio discurso de posse em que anunciou o Programa Nacional de Poupança (PNP).
"[O PNP] terá o intuito de elevar a taxa de poupança para reduzir o endividamento das famílias e das empresas", disse Passos Coelho a 21 de junho, recorda a agência Lusa, que procurou saber junto ao gabinete do primeiro-ministro em que pé estava o prometido programa. O gabinete remeteu os jornalistas para... o ministro das Finanças.
Queda do rendimento das famílias
Segundo o Eurostat, a taxa de poupança dos portugueses está abaixo da média europeia, e a Alemanha é o país com a taxa de poupança mais elevada da Europa. Como se sabe, os alemães não tiveram qualquer redução dos seus rendimentos. Já os portugueses estão a sofrer uma redução sem precedentes. De acordo com as estimativas (conservadoras) do Boletim Económico do Banco de Portugal, em apenas três anos as famílias deverão perder cerca de 11% do seu rendimento disponível, e a baixa de rendimentos será permanente.
Assim, diz o Boletim, "as atuais projeções apontam para uma diminuição do consumo privado de 6% em 2012 e de 1,8% em 2013", lê-se no relatório, que recorda ainda a quebra de 3,6% já registada no ano passado. Estes valores correspondem "a uma queda acumulada de 11% no período 2011-2013", conclui o documento, adiantando que "esta redução é determinada por uma queda da mesma ordem de grandeza do rendimento disponível real das famílias".
Diante desta realidade, seria necessária uma “literacia financeira” de prestidigitador para conseguir fazer subir a poupança...