De acordo com as estimativas da ONU, a qualquer momento da tarde de hoje o planeta passará a ser habitado por 7000 milhões de pessoas. Ninguém imagina onde, mas o mais provável é que este marco ocorra na Índia, onde nascem 51 crianças por minuto, ou na África subsariana, a região do planeta com o maior crescimento populacional nas ultimas três décadas.
O vertiginoso crescimento da população mundial está correlacionado com idêntico avanço na esperança média de vida. Se foi preciso esperar até 1804 para a população mundial atingir a cifra dos mil milhões de habitantes, e só 123 anos depois - em1927 - se chegou aos 2000 milhões, passaram apenas 12 anos desde que se celebrou o nascimento da criança 6000 milhões.
Uma população cada vez mais jovem (45 em cada 100 pessoas têm menos de 24 anos), que vive cada vez mais tempo ( a esperança média de vida disparou nas últimas 5 décadas, dos 48 para os actuais 70 anos) e concentrada nos países pobres ou em vias de desenvolvimento. Quase metade da população mundial (48%) vive com menos de dois dólares por dia. É este o retrato de um planeta onde a explosão populacional tem colocados novos problemas energéticos e alimentares, ao mesmo tempo que confronta as regiões mais ricas com o progressivo envelhecimento dos seus cidadãos.
O salto demográfico esconde, no entanto, realidades bem distintas. Se na África subsariana, ou na Ásia, a população mais que duplicou nas últimas décadas, nunca, como hoje, fez tanto sentido chamar a Europa de "velho continente". Nos últimos 30 anos, enquanto a população mundial saltou de 5000 para 7000 milhões, o número de europeus cresceu apenas 47 milhões, de 693 para 740 milhões. Em todo o continente, apenas a França deverá apresentar, graças aos fluxos migratórios e às taxas de natalidade mais elevadas que os mesmos representam, um saldo demográfico positivo até 2050.
Longe dos valores que caracterizam a Europa, é certo, mas a verdade é que o vertiginoso crescimento da população parece ter os dias contados. Políticas forcadas de controlo da natalidade, como as que ocorrem na China, vão fazer diminuir o ritmo do aumento do número de habitantes. Mesmo assim, em 2050, a população mundial já deverá ser superior aos 9000 milhões e contar 10 mil milhões em 2100.
7000 milhões e a contar
31 de outubro 2011 - 11:03
Não se sabe aonde, nem a que horas, mas algures no planeta deverá nascer hoje o habitante 7000 milhões. Faz apenas 12 anos que se celebrou o nascimento da criança 6000 milhões, no salto demográfico mais explosivo da história da humanidade. Todos os anos há mais 86 milhões de pessoas, a esmagadora maioria nos países mais pobres.
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Faz apenas 12 anos que se celebrou o nascimento da criança 6000 milhões, no salto demográfico mais explosivo da história da humanidade. Foto de Ozyman