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600 médicos sem acesso a especialidade

Cerca de 600 médicos não terão acesso a formação especializada no próximo concurso, estima Patrícia Pita Ferreira, uma das responsáveis pela organização do Congresso Nacional do Interno de Formação Geral. Elevado número de médicos sem especialidade coloca em risco o atendimento de saúde à população.
Foto de Paulete Matos.

“É um efeito de bola de neve gigante”, lamentou Patrícia Pita Ferreira em declarações ao Público, assinalando que no primeiro concurso em que se registou esta discrepância ficaram de fora cerca de 40, no ano seguinte mais de 100 e agora já são largas centenas.

"Muitos médicos nesta situação ficam a trabalhar à tarefa, com recibos verdes e não conseguem completar a sua formação”, alertou, acrescentando que, “ao fim de seis anos do curso de Medicina e um ano de internato de formação geral”, os médicos não se sentem “preparados para assumir responsabilidades e tomar decisões”, sendo que, normalmente, não estão “integrados em equipas”.

A Associação dos Médicos pela Formação Especializada já alertou que, se nada for feito para reverter esta situação, o número de médicos indiferenciados poderá suplantar os quatro mil já em 2021.

A existência de um número tão elevado de médicos sem especialidade coloca em sério risco o SNS, a qualidade da formação médica e o atendimento de saúde à população.

Conforme explica o diário, as vagas para a especialidade são abertas pelo Ministério da Saúde, tendo em conta as indicações da Ordem dos Médicos no que respeita às capacidades de formação identificadas nos serviços de cada hospital e nos centros de saúde.

Parlamento aprovou resolução para garantir formação especializada a todos os médicos

No início de 2018, o Parlamento aprovou, com a abstenção do PSD e do PS e o voto favorável das restantes bancadas parlamentares, o projeto de resolução do Bloco de Esquerda que recomenda ao Governo que sejam implementadas medidas para garantir a formação especializada a todos os médicos.

Na proposta, os bloquistas referem que “não há qualquer interesse em ter médicos sem especialidade, a menos que se pretenda criar uma bolsa de recrutáveis de baixo custo para urgências hospitalares ou serviços de saúde privados, estratégia que não é proveitosa para ninguém, a não ser para as empresas que lucram com a colocação de médicos à jorna no SNS”.

O Bloco alerta que “a existência de médicos sem formação específica em nada beneficia a qualidade do SNS” e “será mais um passo para a desestruturação das carreiras médicas, que já tão fustigadas têm sido nos últimos anos”.

“A bem do SNS, dos utentes, da qualidade dos serviços de saúde disponibilizados à população é essencial assegurar que todos os médicos têm formação especializada”, lê-se no documento, que assinala que “o acesso à especialização médica é um direito de qualquer médico não podendo abrir-se a porta à ideia de que uns médicos terão especialidade e outros não”.

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