Berlim e Bruxelas pressionam mais a Grécia

13 de fevereiro 2012 - 19:17

Ministro da Economia da Alemanha e Comissário Europeu Olli Rehn dizem que a Grécia deu só um passo ao aprovar o novo plano da 'troika' e exigem que Atenas diga onde vai cortar mais 325 milhões de euros. Decisão de novo empréstimo ainda tem de passar pelo Parlamento alemão.

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Manifestação na noite de domingo em Atenas. Foto de odysseasgr

O ministro alemão da Economia, Philip Rösler, afirmou esta segunda que a aprovação pelo parlamento grego das medidas exigidas pela 'troika' foi apenas o primeiro passo formal para receber o novo empréstimo de 130 mil milhões de euros.

O acordo parlamentar é apenas "a condição necessária", disse o ministro, sublinhando que o "decisivo" será a aplicação das reformas aprovadas e que só com pressão se poderá conduzir as autoridades gregas “na direção certa”.

Pressão que o Comissário Europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, claramente quis manter ao afirmar que confia que “o resto das condições, incluindo a identificação de medidas concretas no valor de 325 milhões de euros, sejam completadas até à reunião do Eurogrupo”.

Pressão que, de acordo com outras fontes, terá feito o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, que exigiu ao homólogo grego Evangelos Venizelos um compromisso escrito a assegurar que as medidas vão ser todas cumpridas; caso contrário, terá dito, a porta da saída do euro está aberta, e a Grécia poderá convocar um referendo para ver se os seus cidadãos querem manter-se ou não na moeda única. Curiosamente, Berlim e Bruxelas provocaram um escândalo quando o anterior primeiro-ministro grego Georges Papandreou anunciou justamente esse referendo.

Entretanto, o parlamento alemão tem de aprovar o novo empréstimo e não o fará antes de 27 de fevereiro, o que deverá atirar a decisão final para 1 de março.

A imprensa alemã desta segunda-feira, porém, afirma que Berlim tomou a decisão de não empurrar a Grécia para fora do euro devido aos custos que essa saída teria para o conjunto da Europa e para o sistema financeiro.

Eleições em abril

O porta-voz do governo, Pantelis Kapsis, anunciou que as eleições irão realizar-se em abril, sem precisar a data exata. O líder do Pasok, Georges Papandreou, pretendia que as eleições só se realizassem em outubro, de acordo com o Athens News, mas o líder da Nova Democracia, Antonis Samaras, cujo partido lidera as sondagens com 31%, terá pressionado para que estas sejam convocadas rapidamente. Na última sondagem, o Pasok estava com apenas 8% dos votos.

Entretanto, mais uma deputada do Pasok, que votou a favor do plano da 'troika', renunciou ao cargo esta segunda-feira. Mayia Tsokli alegou motivos pessoais. Na madrugada desta segunda, logo após a votação no parlamento, foram expulsos dos seus partidos 43 deputados da Nova Democracia e do Pasok, por terem votado contra o acordo.

A polícia grega disse que os confrontos de domingo provocaram saques em 150 lojas, 48 edifícios foram incendiados, 100 pessoas feridas, incluindo 68 polícias, e 130 pessoas foram detidas.