O ministro alemão da Economia, Philip Rösler, afirmou esta segunda que a aprovação pelo parlamento grego das medidas exigidas pela 'troika' foi apenas o primeiro passo formal para receber o novo empréstimo de 130 mil milhões de euros.
O acordo parlamentar é apenas "a condição necessária", disse o ministro, sublinhando que o "decisivo" será a aplicação das reformas aprovadas e que só com pressão se poderá conduzir as autoridades gregas “na direção certa”.
Pressão que o Comissário Europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, claramente quis manter ao afirmar que confia que “o resto das condições, incluindo a identificação de medidas concretas no valor de 325 milhões de euros, sejam completadas até à reunião do Eurogrupo”.
Pressão que, de acordo com outras fontes, terá feito o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, que exigiu ao homólogo grego Evangelos Venizelos um compromisso escrito a assegurar que as medidas vão ser todas cumpridas; caso contrário, terá dito, a porta da saída do euro está aberta, e a Grécia poderá convocar um referendo para ver se os seus cidadãos querem manter-se ou não na moeda única. Curiosamente, Berlim e Bruxelas provocaram um escândalo quando o anterior primeiro-ministro grego Georges Papandreou anunciou justamente esse referendo.
Entretanto, o parlamento alemão tem de aprovar o novo empréstimo e não o fará antes de 27 de fevereiro, o que deverá atirar a decisão final para 1 de março.
A imprensa alemã desta segunda-feira, porém, afirma que Berlim tomou a decisão de não empurrar a Grécia para fora do euro devido aos custos que essa saída teria para o conjunto da Europa e para o sistema financeiro.
Eleições em abril
O porta-voz do governo, Pantelis Kapsis, anunciou que as eleições irão realizar-se em abril, sem precisar a data exata. O líder do Pasok, Georges Papandreou, pretendia que as eleições só se realizassem em outubro, de acordo com o Athens News, mas o líder da Nova Democracia, Antonis Samaras, cujo partido lidera as sondagens com 31%, terá pressionado para que estas sejam convocadas rapidamente. Na última sondagem, o Pasok estava com apenas 8% dos votos.
Entretanto, mais uma deputada do Pasok, que votou a favor do plano da 'troika', renunciou ao cargo esta segunda-feira. Mayia Tsokli alegou motivos pessoais. Na madrugada desta segunda, logo após a votação no parlamento, foram expulsos dos seus partidos 43 deputados da Nova Democracia e do Pasok, por terem votado contra o acordo.
A polícia grega disse que os confrontos de domingo provocaram saques em 150 lojas, 48 edifícios foram incendiados, 100 pessoas feridas, incluindo 68 polícias, e 130 pessoas foram detidas.