Previsto para o início de Março, o próximo Conselho Europeu tem em agenda a assinatura do tratado da austeridade imposto pela Alemanha e também, em princípio, o desbloqueamento do segundo resgate à Grécia caso o governo de Atenas cumpra até lá as exigências colocadas pela troika e outras que ainda venham a ser determinadas entretanto.
“A situação dramática na Grécia resulta do fracasso das políticas financeira e económica europeias que a estratégia Europa 2020 apenas irá agravar”, declarou o presidente do GUE/NGL, o eurodeputado alemão Lothar Bisky. “O meu grupo opôs-se sempre e desde o início à estratégia EU 2020 e também às decisões unilaterais impondo austeridade e redução da dívida”, acrescentou. Do que necessitamos, sublinhou, é de programas que estimulem um crescimento duradouro e também da criação de emprego e de investimentos no ambiente e na educação. “Impõe-se uma mudança profunda da política europeia tendo em conta as crises gregas e europeia: é necessária uma política que proteja os interesses dos povos, não os dos bancos”, disse o presidente do GUE/NGL.
Bisky defendeu também que o Banco Central Europeu se torne mais interveniente e que se sobreponha aos mercados financeiros de modo a eliminar “os oportunistas que especulam com as obrigações gregas, portuguesas e outras”.
O eurodeputado grego do GUE/NGL Nikolaos Chountis confrontou os representantes da Comissão e do Conselho presentes na sala do plenário parlamentar em Estrasburgo com a questão de saber se o que se passa presentemente na Grécia tem alguma coisa a ver com a democracia. “Quando se constata que o governo grego não representa o povo, quando se exige aos membros do Parlamento grego que examinem 700 páginas de exigências da troika em apenas uma tarde enquanto a polícia lança gases lacrimogéneos sobre os manifestantes no exterior, quando o próprio senhor comissário exige através da troika o desmantelamento da legislação de trabalho, isto é a democracia?”, interrogou Chountis.
Para outro eurodeputado grego do GUE/NGL, Georgios Toussas, o segundo memorando votado domingo passado no Parlamento de Atenas “é um ataque flagrante e bárbaro contra os trabalhadores na Grécia”. Os trabalhadores, acrescentou, “vêem-se reduzidos a escravos dos tempos modernos trabalhando em troca de gorjetas; é tempo de por fim à ilusão da solidariedade europeia e abrir os ouvidos para o que milhares de pessoas reclamam nas ruas através da Europa”.
Artigo publicado no portal do Bloco no Parlamento Europeu.