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10 anos do esquerda.net

O esquerda.net tem sido sempre um portal de informação alternativa que procura desenvolver um olhar crítico sobre a realidade, um portal de causas, plural mas não neutral, atento e preocupado com os mais importantes debates de ideias do nosso tempo. Por Carlos Santos
Portal esquerda.net em 2010

No próximo dia 3 de julho o esquerda.net faz 10 anos.

A prioridade dada a um órgão de comunicação online constituiu então uma inovação do Bloco de Esquerda. Ultrapassou-se assim a antiga tradição do jornal em papel para dar a primazia à internet.

A criação do esquerda.net constituiu também uma segunda inovação, porque não se tratava de optar por um site do partido, que então já existia e continuou a existir (o bloco.org), mas da criação de um portal de informação alternativa com notícias independentes de opinião. Rompia-se assim com a tradição do órgão central (mesmo na net), tradição de muitos partidos de esquerda, sem se perder aspetos positivos dessa tradição.

O esquerda.net tornou-se assim o veículo de um partido plural, que nunca foi instrumento de fação, mas procurou sempre ser um meio de informação alternativa para a população e fugindo a se fechar num órgão de debate interno.

Assim, o esquerda.net pôde ser divulgador da campanha pelo sim ao aborto no referendo de 2007, deu relevo às lutas em defesa do Estado Social, nomeadamente contra os cortes e encerramentos de centros de saúde, e foi voz da luta de professores e professoras em 2007 e 2008.

Desde que existe, o portal esteve atento à denúncia e combate à precariedade, tendo dado relevo às lutas de precários, destacando-se no apoio e cobertura da manifestação de 12 de março de 2011.

Com as políticas de austeridade, o portal denunciou-as e divulgou e reportou os diferentes protestos que se viveram em Portugal em 2012 e 2013, nomeadamente as manifestações “Que se lixe a troika”.

Feito por uma pequena redação permanente, publicando notícias e opiniões em todos os dias de cada ano, conseguiu contar com a colaboração de centenas de pessoas (regularmente ou pontualmente) em diversas matérias e tarefas, nomeadamente na tradução de artigos, no fornecimento de dados para notícias e até na sua elaboração e para centenas de opiniões. O esquerda.net publicou até hoje opiniões de mais de 250 pessoas. O nosso portal contou também, desde o início e até hoje, com apoio técnico que foi vital para estarmos sempre online, inovarmos e trabalharmos sempre em segurança.

Foi este conjunto de caraterísticas e a sua pluralidade que garantiram que o esquerda.net tenha continuado a aumentar sempre a sua visibilidade e audiência, desde as cerca de mil visitas/dia com que começámos (fazendo na altura o redirecionamento do bloco.org para o esquerda.net, que acabou em poucos meses) até aos quase seis milhões de visitas que tivemos no ano passado, com uma média de cerca de 16.000 visitas/dia. Mesmo quando o Bloco de Esquerda atravessou dificuldades na sua influência e queda em votações, o esquerda.net continuou a ter subida no número de visitas.

O nosso portal também tem sido sempre um órgão atento aos grandes acontecimentos internacionais e também aos debates de ideias na Europa e no mundo.

Das guerras do Iraque e do Afeganistão, às invasões israelitas da Palestina e do Líbano até aos fóruns sociais europeus e mundiais; dos movimentos anti-guerra ou contra o nuclear aos protestos sociais em inúmeros países ou ao movimento occupy; todos esses acontecimentos marcantes tiveram referência, notícias, análises, opiniões no esquerda.net

Nos últimos anos, as políticas de austeridade passaram a ter relevo crescente nas notícias, análises e opiniões, denunciando o austeritarismo, divulgando os inúmeros protestos e mobilizações sociais em Portugal, mas também na Europa, na Grécia, na Espanha, na Irlanda ou noutros países.

Internacionalmente, estabelecemos também algumas parcerias, nomeadamente com a Carta Maior do Brasil.

Desde o início, preocupamo-nos também com a multimédia e procurámos atuar rapidamente perante as sucessivas alterações e novidades da Internet. As notícias foram sempre acompanhadas por fotos, não temos notícias sem foto. E desde o início, estamos no flickr. Demos atenção e divulgámos a blogosfera, temos vídeos e canal no youtube desde 2006. Fomos dos primeiros a fazer transmissões online em direto (lembro a título de exemplo a resposta de Francisco Louçã à declaração de Marcelo Rebelo de Sousa no referendo do aborto em 2007).

Estamos também desde 2008 nas redes sociais, nomeadamente no facebook e no twitter, e nelas temos uma presença ativa e procuramos que sempre inovadora. Em 2014, a configuração do nosso portal foi alterada para poder ser mais facilmente acedido nos telemóveis.

Em síntese, o esquerda.net tem sido sempre um portal de informação alternativa que procura desenvolver um olhar crítico sobre a realidade, um portal de causas, plural mas não neutral, atento e preocupado com os mais importantes debates de ideias do nosso tempo.

Vivemos um tempo de mudanças aceleradas, de instabilidade permanente, num sistema político e social em que se desenvolve a crise sempre presente desde 2007. Neste tempo, em que a crise passou da finança e da economia para a política e os sistemas políticos e partidários atravessam convulsões, como ainda agora verificámos com o Brexit, é ainda mais importante um portal de informação alternativa, um portal para as grandes causas, para as mobilizações, para os grandes debates da esquerda.net É aí que estamos!

A 3 de julho fazemos 10 anos, ao longo do mês de julho teremos novidades editoriais, para ajudar ao desenvolvimento dos alinhamentos sociais e políticos, para ajudar na disputa da hegemonia das ideias pela esquerda.

Carlos Santos (Intervenção na X Convenção do Bloco de Esquerda, 24 de junho de 2016)

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